Retração da economia mundial já afeta negócios em julho
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segunda-feira, 21 de julho de 2003
Adriana Fernandes<br> Agência Estado 
Brasília As exportações estão perdendo fôlego em julho por conta da retração da economia mundial, na opinião do diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. ''Embora não seja possível quantificar, aparentemente a queda das exportações já reflete a retração da economia mundial'', afirmou ele, que acredita que o movimento de paralisação dos servidores da Receita Federal teve um impacto menor nas vendas externas.
Segundo o especialista, os principais mercados compradores de produtos brasileiros - o norte-americano e o europeu - são os mais afetados pela retração do nível de atividade econômica. O diretor da AEB lembrou que a queda das vendas externas do País, com a redução do comércio mundial, já era esperada para o segundo semestre.
Na sua avaliação, a redução do preço da soja no mercado internacional é outro ponto negativo para as exportações. ''Para os embarques de setembro, a cotação da soja caiu muito'', ressaltou Castro. Muitos produtores que esperaram para vender mais tarde a soja por um preço melhor, como ocorreu no ano passado, poderão ser obrigados a exportar com uma cotação menor.
Pelos cálculos da AEB, até junho foram exportados US$ 3,66 bilhões de produtos do chamado complexo soja para uma previsão de vendas no ano de US$ 7,8 bilhões. ''Com a queda da cotação, podemos não vender os US$ 7,8 bilhões'', comentou Castro. Para ele, a valorização do real frente ao dólar, que torna o produto brasileiro menos competitivo no mercado externo, também tem impacto reduzido nas vendas. ''Mesmo com o câmbio ruim, as empresas não têm outra alternativa. Elas têm de exportar e manter o cliente no mercado externo no longo prazo'', disse ele, ressaltando que as vendas no mercado doméstico continuam retraídas.
O diretor da AEB não acredita que o aumento dos gastos com as compras externas na terceira semana do mês seja um sinal de recuperação das importações. ''É preciso esperar umas três semanas para se verificar se esse aumento das importações é uma tendência'', explicou. ''Esse aumento pode ser pontual, decorrente por exemplo de um desembarque de um navio de petróleo. Não dá para afirmar que seja um aquecimento das importações'', avaliou Castro, ressaltando que o mercado interno está desaquecido.


