A forte desaceleração da economia mundial já está criando problemas políticos para vários países emergentes. A avaliação é do diretor-gerente de estratégia para mercados emergentes do Deutsche Bank, Jose Luis Daza. ''Com a diminuição do crescimento econômico, os governos de diversos países estão enfrentando pressões políticas para fazer escolhas difíceis em termos de política econômica. Menor crescimento impacta na arrecadação de impostos, há menos dinheiro para investir e as contas fiscais deterioram-se'', disse Daza em entrevista à Agência Estado.
Ex-assessor da diretoria do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ex-diretor do Banco Central do Chile e premiado como melhor analista de mercados emergentes pelas revistas Latin Finance, Institutional Investor e Emerging Markets Investor, Daza acredita que o impacto da desaceleração da economia global será um dos principais temas que irá dominar as discussões na próxima reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, marcada para o final de setembro. ''O crescimento econômico é visto como uma solução para diversos problemas'' afirmou. ''Sem falar que crescimento menor afeta o índice de desemprego.''
Para Daza, países com situações fiscais complicadas, dificuldades de manter o nível de arrecadação e elevado nível de desemprego são os que devem enfrentar maiores pressões políticas. Segundo Daza, a atividade econômica mundial está se desacelerando num ritmo muito rápido muito mais rápido do que o observado em 1998, depois da crise financeira da Rússia e da Ásia. ''Em 1998, durante a crise financeira internacional, ainda havia fluxo enorme de recursos sendo investido nos mercados acionário e de renda fixa nos Estados Unidos. E esse fluxo de dinheiro acabou alimentando o crescimento da economia norte-americana, através de um impulso no consumo, na construção de casas, entre outros indicadores'', disse. Agora, explicou o analista, há uma sincronia na redução da atividade econômica em várias partes do globo: nos Estados Unidos, em particular, e também na Europa, no Japão e nos mercados emergentes, incluindo o Brasil.

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