Nem Trump, nem qualquer gestor do mundo têm alguma restrição ao capital estrangeiro e essa máxima se consolida em ações como o EB-5 – Programa de Imigrantes Investidores (Immigrant Investor Program) –, no qual o tão cobiçado Green Card, o visto permanente para morar legalmente nos Estados Unidos (EUA), serve de moeda de troca, sendo concedido ao investidor estrangeiro e sua família.
A contrapartida exigida é igual ou superior a US$ 500 mil a serem aplicados em um empreendimento que gere pelo menos 10 empregos diretos durante a fase de execução e implantação do negócio, que precisa estar localizado em regiões norte-americanas que carecem de vagas de trabalho. Mesmo oferecendo um risco significativo ao capital e com baixa ou nenhuma rentabilidade, esse tipo de investimento vem ganhando espaço entre os brasileiros que em números absolutos saltaram da casa das centenas de investidores EB-5 para a casa da dezena de milhares, na última década.
Os Centros Regionais contam com designação especial do Serviço de Cidadania e Imigração Estados Unidos (USCIS) para administrar projetos de investimento EB-5. Eles dão conta de que quintuplicou o número de investidores brasileiros em dez anos e que há potencial para muito mais. "Apesar do programa ter começado em 1990, no Brasil o conhecimento sobre as vantagens dele ainda está sendo disseminado, até porque são os grandes polos – as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo - que respondem por boa parte desses investidores. Existe todo um país e seu interior com possibilidades reais de decidirem por esse caminho", avalia a diretora da LCR Capital Partners, Juliana Cunha. "Nossa empresa, por exemplo, deu início a esse trabalho em 2014. E uma das nossas estratégias é incluir capitais como Curitiba e polos regionais no escopo de nossas ações".
Nesta semana, a LCR Capital Partners apresentou em Curitiba o Surf Club Four Seasons Hotel & Residences, empreendimento no ramo hoteleiro, cuja obra já foi concluída. O estabelecimento está localizado em Miami, na Flórida. "É a primeira vez que apostamos no viés da hotelaria. Até então, a mediação era voltada para empreendimentos imobiliários relacionados a franquias. Ambos, além de garantir a geração de empregos por conta da execução da obra, ainda criam vagas para trabalhadores depois do espaço terminar de ser construído", aponta.

Imagem ilustrativa da imagem Retorno em Green Card



Direto ou indireto
Os requerentes do visto EB-5 podem optar pelo investimento indireto via Centros Regionais, e se tornarem copartícipes de projetos nos quais eles não precisam gerenciar diretamente o negócio, nem residir no local. Já na maneira direta, os investidores devem encontrar um projeto de investimento próprio e é recomentado para quem visa mais controle sobre seus investimentos.
Como mais de 90% dos participantes visa a obtenção do estatuto de residência ao invés de gerenciar diretamente um investimento por conta própria, a opção indireta oferecida pelas Centros Regionais é a mais procurada. "Outro ponto fundamental para eu optar pelo EB5 foi a não necessidade de eu atuar diretamente no negócio", admite o investidor curitibano Gustavo Lorenci, que iniciou o processo de obtenção do Green Card há 16 meses. Ele se tornou copartícipe da construção e abertura de novas lojas da franquia Dunkin Donuts. Para Lorenci, a maneira indireta garantiu tranquilidade de que não perderia o visto, uma vez que algumas opções exigem atuação direta do imigrante, e caso o negócio não prospere o Green Card pode ser cassado.

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