Retorno em Green Card
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sexta-feira, 03 de fevereiro de 2017
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 
Nem Trump, nem qualquer gestor do mundo têm alguma restrição ao capital estrangeiro e essa máxima se consolida em ações como o EB-5 Programa de Imigrantes Investidores (Immigrant Investor Program) , no qual o tão cobiçado Green Card, o visto permanente para morar legalmente nos Estados Unidos (EUA), serve de moeda de troca, sendo concedido ao investidor estrangeiro e sua família.
A contrapartida exigida é igual ou superior a US$ 500 mil a serem aplicados em um empreendimento que gere pelo menos 10 empregos diretos durante a fase de execução e implantação do negócio, que precisa estar localizado em regiões norte-americanas que carecem de vagas de trabalho. Mesmo oferecendo um risco significativo ao capital e com baixa ou nenhuma rentabilidade, esse tipo de investimento vem ganhando espaço entre os brasileiros que em números absolutos saltaram da casa das centenas de investidores EB-5 para a casa da dezena de milhares, na última década.
Os Centros Regionais contam com designação especial do Serviço de Cidadania e Imigração Estados Unidos (USCIS) para administrar projetos de investimento EB-5. Eles dão conta de que quintuplicou o número de investidores brasileiros em dez anos e que há potencial para muito mais. "Apesar do programa ter começado em 1990, no Brasil o conhecimento sobre as vantagens dele ainda está sendo disseminado, até porque são os grandes polos as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo - que respondem por boa parte desses investidores. Existe todo um país e seu interior com possibilidades reais de decidirem por esse caminho", avalia a diretora da LCR Capital Partners, Juliana Cunha. "Nossa empresa, por exemplo, deu início a esse trabalho em 2014. E uma das nossas estratégias é incluir capitais como Curitiba e polos regionais no escopo de nossas ações".
Nesta semana, a LCR Capital Partners apresentou em Curitiba o Surf Club Four Seasons Hotel & Residences, empreendimento no ramo hoteleiro, cuja obra já foi concluída. O estabelecimento está localizado em Miami, na Flórida. "É a primeira vez que apostamos no viés da hotelaria. Até então, a mediação era voltada para empreendimentos imobiliários relacionados a franquias. Ambos, além de garantir a geração de empregos por conta da execução da obra, ainda criam vagas para trabalhadores depois do espaço terminar de ser construído", aponta.

Direto ou indireto
Os requerentes do visto EB-5 podem optar pelo investimento indireto via Centros Regionais, e se tornarem copartícipes de projetos nos quais eles não precisam gerenciar diretamente o negócio, nem residir no local. Já na maneira direta, os investidores devem encontrar um projeto de investimento próprio e é recomentado para quem visa mais controle sobre seus investimentos.
Como mais de 90% dos participantes visa a obtenção do estatuto de residência ao invés de gerenciar diretamente um investimento por conta própria, a opção indireta oferecida pelas Centros Regionais é a mais procurada. "Outro ponto fundamental para eu optar pelo EB5 foi a não necessidade de eu atuar diretamente no negócio", admite o investidor curitibano Gustavo Lorenci, que iniciou o processo de obtenção do Green Card há 16 meses. Ele se tornou copartícipe da construção e abertura de novas lojas da franquia Dunkin Donuts. Para Lorenci, a maneira indireta garantiu tranquilidade de que não perderia o visto, uma vez que algumas opções exigem atuação direta do imigrante, e caso o negócio não prospere o Green Card pode ser cassado.


