São Paulo - Na hora de aplicar em ações o investidor deve estar atento às diferentes categorias de fundos que estão disponíveis no mercado. Isso porquê, além de os riscos não serem os mesmos, a rentabilidade alcançada pelos fundos de ações varia consideravelmente.
Números da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) mostram que nesse segmento do mercado há desde categorias com rentabilidade negativa a outras que superam, em muito, o resultado da Bovespa no ano.
Os fundos setoriais formados com ações de empresas de telecomunicações iniciaram setembro com perdas acumuladas de 9,29% em 2006 - sendo esta a categoria com pior retorno no segmento acionário. Na outra ponta, a categoria chamada de ''ações/outros com alavancagem'' conseguiu registrar valorização de 21,64% no período.
Já os fundos de investimento indexados ao Ibovespa - aqueles que andam colados ao principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo- marcaram rentabilidade anual de 9,66% até o início deste mês.
Assim, se o investidor olhar apenas para o desempenho geral da Bolsa paulista terá uma idéia distorcida da rentabilidade que pode conseguir ao aplicar em ações. ''Para aquele pequeno investidor que não acompanha de perto o mercado acionário, talvez seja mais interessante aplicar em um fundo que siga de perto um índice da Bolsa. Assim ele fica com uma referência boa, fica mais fácil para acompanhar'', afirma Luiz Antonio Vaz das Neves, diretor da corretora Planner.
Os fundos mais agressivos - como os classificados de ações/outros alavancados - têm se destacado dentre as aplicações acionárias neste ano. Mas esse bom retorno traz embutido um maior risco. Dessa forma, é bom o investidor conhecer bem a instituição financeira a quem vai confiar suas economias.
Os fundos alavancados, que aparecem em destaque, podem montar operações de risco que superem seu patrimônio. Assim, há a possibilidade de amargarem perdas maiores que seu patrimônio em um momento de crise.
Nos fundos de perfil agressivo, os gestores são mais ativos, buscando o tempo todo as melhores opções do mercado. Para alcançar maior rentabilidade, os administradores acabam por assumir maiores riscos.
Diferente dos fundos indexados a um índice -como o Ibovespa e o IBX-, essas aplicações que aparecem catalogadas como ''ações/outros'' não têm compromisso com um indicador ou segmento de papéis do mercado. O gestor tem autonomia para fazer o que achar melhor com os recursos, na busca da melhor rentabilidade e assumindo maiores riscos.
Setoriais - Já os fundos setoriais carregam o problema de estarem ligados a apenas um setor. Nesse ano, os setoriais de energia têm tido um desempenho bem acima do Ibovespa, com alta de 19,06%. ''Empresas do setor de energia elétrica continuam sendo uma boa opção de investimento daqui para o fim do ano'', diz Neves.
Mas se acontece de o setor focalizado atravessar um período ruim - como o de telecomunicação nesse momento-, o investidor não terá outra opção a não ser a de assumir o prejuízo ou esperar dias melhores. Esse risco de investir em apenas um setor ou mesmo uma ação fica bem claro quando se pensa nos fundos formados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a partir das ações da Petrobras e da Companhia Vale do Rio Doce.
Neste ano, os FGTS/Petrobras aparecem com bom retorno, de 19,17%, segundo a Anbid. No caso dos FGTS/Vale o resultado em 2006 é decepcionante, com queda acumulada de 1,63%.
Somando todas as diferentes categorias de fundos de ações, seu patrimônio líquido chega a R$ 60,3 bilhões. Apesar de parecer bastante, essa cifra representa apenas 7% de toda a indústria de fundos.
As aplicações de renda fixa e DI - que pagam juros e carregam baixo risco - representam mais de 60% do mercado total, algo em torno de R$ 530 bilhões de patrimônio. Isso mostra que o investidor brasileiro ainda prefere correr poucos riscos na hora de aplicar suas economias.

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