Rio de Janeiro - A recuperação da produção industrial do País perdeu fôlego no início de 2004. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram uma queda de 1,8% em fevereiro, ante janeiro, e revelam, segundo o coordenador de Indústria, Silvio Sales, que no primeiro bimestre a indústria não sustentou os níveis de produção do fim de 2003. Apesar da perda de ritmo, o setor registrou no mês um crescimento de 1,8% na produção ante fevereiro do ano passado.
''O processo de recuperação da indústria está perdendo fôlego em relação ao final do ano passado'', disse Sales. Segundo ele, isso pode estar ocorrendo por causa de ''uma alteração desfavorável no cenário geral do País'', especialmente em consequência de lentidão maior do que a esperada na redução dos juros. ''Fevereiro foi um mês de baixa atividade. Os segmentos que cresceram muito no final do ano passado, como bens de consumo duráveis e bens de capital, começam a mostrar perda de ritmo, mas não se sabe ainda se essa é uma tendência ou reflete um ajuste de estoques'', afirmou.
Sales citou como exemplo da perda de ritmo o índice de média móvel trimestral, considerado o principal indicador de tendência. O índice revela que a produção fechou o trimestre encerrado em fevereiro com perda de 1,5%, ante o finalizado em janeiro.
A pesquisa de fevereiro do IBGE foi realizada sob nova metodologia, que ampliou de 20 para 27 os setores pesquisados. Segundo Sales, o instituto checou a possibilidade de efeito da mudança de metodologia na pesquisa na queda na produção industrial, mas ''a queda foi espalhada e não se relaciona com as modificações na pesquisa''. O crescimento de 1,8% em fevereiro, ante igual mês do ano passado, segundo Sales, ''era de se esperar, já que o cenário do início de 2003 não era favorável''.
Apesar dos dados desfavoráveis, analistas de mercado avaliam que o quadro não é tão ruim. Para o economista-chefe da Sul América de Investimentos, Newton Camargo Rosa, os números têm de ser relativizados. Ele lembrou que, historicamente, o primeiro bimestre de todos os anos apresenta um arrefecimento da atividade produtiva. ''É natural ocorrer uma desaceleração no período'', afirmou.
O economista prevê que, em março, os resultados da produção virão melhores, como já sinalizaram indicadores como venda de papel e papelão e a produção de veículos verificada pela Anfavea. Concorda com ele o economista do BNP Paribas, Alexandre Lintz, para quem os indicadores antecedentes preliminares já sinalizam para um crescimento da produção industrial em março.

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