Retomada econômica pressiona preços
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sexta-feira, 20 de agosto de 2004
Nilson Brandão Junior<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A retomada da economia está provocando pressão localizada de preços. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), os recentes aumentos de preços nos setores de autopeças, siderurgia, papel e papelão, captados na coleta de preços dos índices da instituição, podem estar ligados ao aumento da demanda externa e doméstica. O economista-chefe da LCA Consultores, Luiz Suzigan, alerta para outro risco: a escalada dos preços internacionais do petróleo e de commodities metálicas.
''Não está havendo aumento generalizado, nem há descontrole da inflação. Mas há indicações de que o aquecimento mais disseminado pode se manifestar em aumento de preços. Então, todo cuidado é pouco'', comentou o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros. O especialista argumenta que os aumentos podem decorrer de aquecimento, acréscimo de demanda ou limitação da capacidade instalada de fabricação.
Para o economista-chefe da LCA, uma eventual restrição de oferta poderia gerar ''aumentos localizados e temporários''. ''Eu não veria isso como problema duradouro e persistente para a evolução da inflação. O que mais preocupa é o comportamento de alguns preços externos, como petróleo e metais'', comentou Suzigan. O economista explica que há defasagem entre preços externos e internos em importantes insumos da cadeia petroquímica e siderúrgica.
Os dados da segunda prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), divulgados esta semana pela FGV, mostraram queda da inflação geral, mas aceleração de reajustes no caso de autopeças (de 0,97%, na mesma prévia do mês anterior, para 2,53%), papel e papelão (de 0,57% para 1,94%) e ferro, aço e derivados (de 1,66% para 2,42%). O resultado geral mostrou queda da prévia de 1,11% para 0,62%.
O coordenador da FGV explica que estes exemplos ''são ainda pontuais''. Quadros argumenta que algum nível de recomposição é inevitável, mas ''é um tipo de pressão inflacionária que dá uma vez e acaba''. Ele também diz que a preocupação não é alarmista e explica que o acompanhamento mais detalhado é necessário nesta fase de recuperação econômica.
Para o economista da LCA, contudo, os riscos estão mais mais ligados aos custos (alta de matérias-primas cotadas internacionalmente) do que à inflação motivada pela demanda aquecida.
Esta semana o Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado formado pelos diretores e pelo presidente do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa básica de juros - Selic - em 16% pelo quarto mês consecutivo, ''tendo em vista as perspectivas para a trajetória da inflação'', segundo nota divulgada pelo BC. De acordo com analistas, existe um ''cenário de divergência entre a inflação projetada e a trajetória das metas''. Entre janeiro e julho, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 4,42%. A meta deste ano foi fixada em 5,5%, admitindo-se um desvio de 2,5 pontos percentuais.


