Retomada do setor de embalagem só virá em 2006
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A indústria brasileira de embalagens deve fechar 2003 com um faturamento de R$ 23,7 bilhões, de acordo com as projeções da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o que representa uma alta de 16% sobre o resultado do ano anterior. Esse desempenho, contudo, mascara a real situação que o setor enfrentou. ''Esse aumento se explica quase exclusivamente pelas altas de preços praticados em 2003, uma vez que o setor apresentou retração no volume de produção'', explica o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros.
Pelos dados do instituto de pesquisa, a produção física de embalagens recuou 6,64% no ano, deflagrando a maior queda desde 1992, quando o desempenho foi 8,03% menor. De acordo com Quadros, embora já tenha havido períodos piores, o desempenho negativo de 2003 na produção inspira cuidados.
''Estamos vivendo um período de fadiga econômica não só no setor de embalagens, como na economia brasileira como um todo'', diz Quadros. ''Com o novo cenário macroeconômico brasileiro, que tem outra configuração de tributos, juros ainda altos e poder aquisitivo em queda, as variações de crescimento são modestas''. Tanto que, pelas projeções da FGV, o setor de embalagens deve crescer 2,5% em 2004, contra uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,7%, aumentando mais 3% em 2005, quando a economia deve se expandir 3,5%, o que posterga para 2006 a recuperação do setor.
Os preços, em contrapartida, devem se manter em alta. Na sondagem conjuntural realizada pela FGV com 77 empresas de embalagens, que representam 1/3 do faturamento do setor, verificou-se uma forte tendência de aumento de preços. Em 2003, a alta foi de 9,76%.
A retração na produção refletiu a queda da demanda por embalagens. Entre os compradores deste insumo, verificou-se uma maior demanda apenas no setor de carnes (2,77%), com os outros setores caindo de 18,36% (farmacêutico) a 1,35% (perfumaria e sabões). Dos cinco segmentos de embalagens, apenas dois registraram alta de produção, conforme os dados da FGV: o de vidro (3,97%) e o de madeira (12,26%). Foram eles também que apresentaram os maiores aumentos de preços, de 13,78% e 22,49%, respectivamente. Os outros três segmentos embalagens metálicas, embalagens plásticas, papel e papelão -, que representam mais de 90% da receita do setor, recuaram.


