Rio de Janeiro A esperada trajetória de crescimento da economia e aquecimento do mercado interno só vai começar para valer no segundo trimestre de 2004. A análise é compartilhada pelo empresário Josué Gomes da Silva, presidente do grupo Coteminas, e pelo economista José Roberto Mendonça de Barros. Ambos vincularam a volta da população às compras à continuidade da queda nos juros.
''O consumo interno no Brasil vai voltar a crescer de forma mais intensa a partir do segundo trimestre de 2004'', disse Mendonça de Barros no seminário ''2004: a retomada do desenvolvimento'', realizado ontem no Rio. Ele afirmou que o consumidor está ''usando todas as oportunidades'' para pagar dívidas neste fim de ano e voltará às compras a partir de março.
O economista estima um crescimento entre 3% e 3,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. Para Mendonça de Barros, 2004 será marcado pela queda na taxa básica de juros sua expectativa é de taxa nominal de 13,5% em dezembro de 2004 e dólar com ''pouca flutuação'' no período. Ele avalia que a queda dos juros será o principal fator a puxar o consumo das famílias, já que os prazos de financiamento serão mais longos.
Outro motivo da volta às compras será alguma recuperação no rendimento em relação a 2003. A expectativa do economista é de que a massa de rendimento caia 7% em 2003 e apresente um crescimento de 5% em 2004, sempre na comparação com o ano anterior.
Apesar do otimismo para o ano que vem, ele não aposta em recuperação significativa da economia neste quarto trimestre. ''Haverá uma recuperação no quarto trimestre, mas será lenta, com um Natal totalmente sem brilho'', disse.
Josué Gomes da Silva, também em palestra no seminário, disse que ''a agenda microeconômica é importantíssima, mas não podemos deixar de lado a macroeconomia'', antes de criticar várias vezes as taxas de juros cobradas no País. ''Ainda que quiséssemos esquecer dos juros, é impossível, já que temos taxas dez vezes maiores do que os outros países com os quais somos obrigados a competir'', disse. A estimativa do empresário é de que o crescimento do PIB no próximo ano ''esteja mais perto dos 3% do que dos 4%'' e que ''não haverá crescimento excepcional no primeiro trimestre do ano''.
Ele admitiu que ''é verdade que os bancos centrais em todo o mundo são conservadores'', mas completou que ''o Fed (banco central norte-americano) é muito mais conservador no objetivo de estimular a economia porque sabe o custo da recessão''.
O empresário chegou a fazer uma brincadeira de suas reclamações sobre juros, lembrando do pai, o vice-presidente José Alencar Gomes da Silva. ''Vou parar por aqui com esse tema de juros porque senão todo mundo vai pensar que é um assunto de família'', disse.

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