Arquivo FolhaReposiçãoIndústria já acelera produção: pátios têm cerca de 100 mil unidades, o menor número desde outubroAs montadoras trabalham hoje com disponibilidade de mão-de-obra 18% superior ao que necessitam e um aumento de custos de 5% em razão da perda de escala provocada pela queda de mercado. A informação foi dada ontem pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Silvano Valentino. A consequência desse quadro não deve resultar em demissões, segundo Valentino, já que o setor aposta numa retomada de mercado no segundo semestre e está disposto a assegurar o nível de emprego. Também o aumento de custos poderia resultar em elevação dos preços dos carros. Mas Valentino disse que as montadoras precisam continuar dando descontos em razão da queda na demanda.
É por isso que a indústria continuará a reivindicar do governo a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que foi elevado em 5 pontos percentuais na edição do pacote fiscal. O setor programou aumento na velocidade de produção para o segundo trimestre. A média diária de produção será de 7.520 veículos em abril, 7.872 em maio e 7.973 em junho. Ou seja, já em junho a indústria estará produzindo quase 9% mais do que em abril.
Mas Valentino não avaliou esse aumento como um sinal de retomada do desempenho. Segundo ele, a produção atual está 23,5% abaixo do que era em outubro, mês do início da crise, estimulada pelo aumento das taxas de juros. É por isso que a indústria perdeu escala e, consequentemente, teve o aumento de custo, estimado em 5%. Segundo Valentino, descontado o índice de 5% de queda no nível de emprego por conta de adesões aos pacotes de demissões voluntárias chega-se a conclusão de um excedente de 18% na mão-de-obra.
A prevalecer as contas da Anfavea a respeito da média diária de produção, serão produzidos 146.397 veículos este mês, 157.448 em maio e 167.434 em junho. Se confirmar os números, a indústria fechará o semestre com 869.076 veículos produzidos, o que resultará numa queda de 16% em comparação com os primeiros seis meses de 1997. O nível dos estoques está baixando lentamente, somando hoje pouco mais de 100 mil unidades. É por isso que as montadoras já pensam numa gradual retomada dos níveis de produção.

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