Retomada das commodites é questão de tempo
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segunda-feira, 06 de abril de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A crise financeira mundial caiu como uma bomba sobre o mercado das commodities. Os preços dos produtos agropecuários, que até setembro do ano passado estavam em escalada de forte alta, despencaram. No entanto, pode-se afirmar que há uma ''luz no fim do túnel''. Ninguém duvida que a crise é real, mas os preços vão voltar a reagir. O argumento é simples: o mundo não vai deixar de comer, inclusive, os alimentos são o último item a ser cortado no orçamento familiar. Soma-se a isso o fato de que os estoques mundiais de produtos agropecuários estão baixos.
O assunto foi discutido ontem no fórum ''Pecuária de Corte e Crise Mundial: Efeitos e Soluções'', durante a 49 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Para o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, os impactos da crise afetaram menos o Brasil do que o restante do mundo, assim como o agricultura está sentindo menos os seus efeitos do que o restante do setor produtivo. ''Houve uma queda de preços (das commodities), mas os estoques terão que ser recompostos e, aí, os preços vão voltar a subir'', disse.
Ele acrescentou que os agricultores não reduziram a área de plantio nesta safra, estão utilizando a mesma tecnologia e as feiras agropecuárias estão registrando o mesmo nível de negócios registrado em anos anteriores. ''Apesar da crise os preços não estão ruins, porque a alta do dólar compensou. Tivemos problemas em algumas culturas como o feijão e o algodão, por exemplo'', disse. Em relação ao mercado de carnes - bovina, suína e de aves - o ministro comentou que apenas a suinocultura enfrenta crise, uma vez que os preços estão baixos e não cobrem sequer os custos de produção.
No entanto, Stephanes avalia que o mercado irá melhorar porque a China já manifestou intenção de importar carne suína do Brasil. A avaliação é que o comércio seja iniciado em seis meses. Já sobre o mercado de frangos, as exportações voltaram a reagir no mês passado. No entanto, a organização da cadeia permitiu a redução em até 15% das criações desde outubro. Já na bovinocultura, o problema é maior. O mercado foi fortemente afetado pelos focos de febre aftosa, confirmados há pouco mais de três anos, e hoje o Brasil exporta apenas 25% do volume negociado antes daquele período.
''Iremos ganhar mais participação de mercado a partir da solução dos problemas sanitários'', afirmou o ministro. Além disso, ele lembrou que os frigoríficos também tiveram problemas a partir da falta de crédito do mercado. ''O governo tem que ser mais ágil para resolver esses problemas e tem que adotar medidas menos ortodoxas, mais liberais. A agricultura é um dos setores mais dinâmicos da economia e que reagem mais rapidamente a uma crise e quando termina a crise é a primeira que avança'', observou. O cenário ainda é mais positivo porque o aumento da população mundial vai impor o aumento da produção de alimentos.
A estimativa é que a produção precisará aumentar em 50% nos próximos 20 anos. ''O Brasil é o único país do mundo com condições de cumprir todos os requisitos exigidos para o aumento da produção porque tem disponibilidade de terra, luz natural, água, tecnologia e organização'', salienta. No caso da pecuária, se houver somente a recuperação de áreas degradadas o Brasil teria condições de dobrar suas criações. ''O mundo vai procurar por alimentos e só assim teremos renda para os produtores'', comentou.


