Rio de Janeiro - A indústria brasileira iniciou o segundo semestre mantendo ritmo intenso de produção, confirmando o salto do final do primeiro semestre. Os dados da produção industrial de julho, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que já há investimentos em aumento de capacidade.
O crescimento de 9,6% ante julho do ano passado, apesar de inferior aos 13% de junho no mesmo tipo de comparação, ganha em importância porque é confrontado com uma base menos deprimida. Junho de 2003 foi o fundo do poço para a indústria, que iniciou em julho o processo de retomada. Em relação a junho deste ano, o crescimento foi de 0,5%.
A expansão foi, mais uma vez, liderada pelos bens de consumo duráveis (especialmente automóveis e eletrodomésticos) e pelos bens de capital, que já refletem a retomada de investimentos. ''Não alteramos a leitura da produção sobre os dados de julho, em relação aos dados de junho'', disse o chefe da Coordenação de Indústria do IBGE, Silvio Sales, referindo-se à diferença entre os dois últimos saldos. ''Os resultados confirmam o crescimento da produção'', afirmou. Nos primeiros sete meses do ano, a produção acumulou alta de 7,8% e, em 12 meses, de 5%.
Para o diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida, os dados mostraram que a recuperação da renda não está elevando o rendimento disponível para o consumo, que está sendo engolido por impostos e tarifas. ''O segmento de não-duráveis, mais vinculado ao mercado interno, melhorou, mas não engata'', disse.
A produção de bens semi e não-duráveis (alimentos, remédios, calçados, confecções) caiu 1% em julho, ante junho, e cresceu 3,2%, ante julho do ano passado, bem abaixo da média do setor. ''A recuperação da renda não está chegando ao bolso do consumidor e não há nenhum superaquecimento de demanda no Brasil que justifique aumento dos juros'', disse Almeida.
Sales concorda que a recuperação dos bens de consumo semi e não-duráveis permanece lenta em consequência da também gradual reação do rendimento real dos trabalhadores. Mas disse que o aquecimento do mercado interno foi confirmado pelos números da pesquisa. Segundo Sales, a recuperação da demanda doméstica permanece mais evidente nos bens de consumo duráveis (eletrodomésticos, automóveis etc) e bens de capital (máquinas e equipamentos industriais). No caso dos bens de consumo não-duráveis, a reação do mercado interno está sendo ''lenta e gradual''.
Os dados acumulados da produção de capital de janeiro a julho mostram que há crescimento dos investimentos industriais no País, afirmou Sales. ''Os dados revelam que há aumento dos investimentos. A discussão é se eles são suficientes ou não'', disse. A produção de bens de capital cresceu 24,9% no acumulado de sete meses.

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