Retenção gera dúvidas na APPC
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segunda-feira, 29 de maio de 2000
João Caminoto Agência Estado De Londres 
O plano de retenção de exportações de café, anunciado pelos países produtores em Londres há pouco mais de uma semana, já está gerando muitas dúvidas, segundo informa reportagem publicada pela BBC Online. A Associação dos Países Produtores de Café (APPC), liderada pelo Brasil, que é o maior produtor, decidiu reter 20% das exportações para tentar recuperar os preços do produto.
Mas estão surgindo dúvidas se o Brasil vai mesmo implementar o plano. Além disso, países que não são membros da APPC estariam reconsiderando sua decisão de participar da retenção. O plano parece estar desmoronando mais rápido do que se esperava, disse um trader entrevistado pela BBC.
O Brasil, que deverá reter a exportações a partir do início de junho, ainda não informou aos produtores quais serão as novas regras de exportação. Alguns países que são grandes exportadores, mas não são membros da APPC, estão começando a expressar dúvidas sobre sua participação no plano. O México, que é o quinto maior exportador, já deixou claro que não vai estocar café, mas sim tentar aumentar a demanda doméstica. A Indonésia disse que está avaliando apenas a possibilidade de reter na próxima safra, que será apenas comercializada em um ano.
Finalmente o mercado está percebendo que os não membros da APPC concordaram em regular as exportações do café, mas não com um acordo de retenção, disse à BBC Andrea Thompson analista da Commodity Expert.
Os países membros da APPC deverão comunicar à entidade como vão implementar o plano até o dia 16 de junho. A retenção, por parte desses países, deverá entrar em vigor a partir do dia 1º de Outubro.
Os membros da APPC produzem 54 milhões de sacas de café das 78 milhões de sacas exportadas anualmente. O Brasil é responsável por metade da produção mundial.


