Toda a saca de café embarcada pelo Brasil, a partir da próxima segunda-feira - através de Paranaguá, Santos ou outros portos - precisará passar pelo crivo do governo federal, que fará o controle das vendas da commodity ao exterior. O programa brasileiro de retenção das exportações de café começou a funcionar ontem. Todo produtor ou atacadista que quiser vender seu produto no exterior terá de deixar 20% de sua mercadoria em um dos 13 armazéns do governo.
O clima no segmento exportador é de tensão com a novidade, já que desde a extinção do IBC, no final de 1989, o setor se auto-gerenciava. ‘‘Não estamos podendo efetuar embarques porque não tem café retido’’, afirma o presidente do Conselho dos Exportadores do Café (Cecafé), Jorge Esteve Jorge. O prazo para que essa situação se normalize ainda é uma incógnita.
Manoel Bertone, vice-presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), entidade que representa os produtores, acredita que até final da próxima semana a novidade será internalizada e as dúvidas elucidadas. Com as medidas, o governo chamou novamente para si a responsabilidade de ordenar o comércio brasileiro. Mas ainda há dúvidas sobre os procedimentos.
Embora tenha ficado claro ao mercado que a retenção acordada com a Associação dos Países Produtores de Café (APPC) diz respeito ao País e não a um setor específico, há dúvidas em relação aos embarques efetuados até ontem e também sobre a forma como os novos serão efetuados.
Isso porque os registros de venda serão autorizados levando em conta o volume retido. Se o País tem em seu estoque de retenção mil sacas certificadas, significa que ele poderá liberar registros para exportação de cinco mil sacas. A emissão de registros cresce a medida que aumenta o volume de cafés certificados, independente de sua origem, seja de exportador ou produtor.

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