Araçatuba - A Sófruta, uma das maiores fabricantes de alimentos industrializados do País, pediu concordata e ameaça transferir seu parque industrial de São Paulo para o Nordeste. Controlada pelo fundo de investimento norte-americano The Vision, a Sófruta possui patrimônio de R$ 32,7 milhões, mas não tem como pagar uma dívida superior a R$ 10 milhões a fornecedores de matéria-prima, prestadores de serviços e pequenos produtores que vendem leite, frutas, tomates e legumes para a fabricação de mais de 30 itens de produtos vendidos no País e no exterior.
O pedido de concordata preventiva deu entrada na última sexta-feira no fórum de José Bonifácio (SP), cidade onde a Sófruta mantém sua unidade de produção e é a maior empregadora do município, com 300 funcionários diretos e mais de 1 mil terceirizados. Desde março, o número de funcionários foi reduzido a 150 e deve diminuir ainda mais no final deste mês, possivelmente a apenas 70. A Sófruta tem 50 fornecedores de matéria-prima e mais de 1 mil pequenos produtores e fornecedores. Entre seus clientes estão Kibon, Pão de Açúcar, Wallmart, Carrefour, Perdigão, entre outros.
O diretor-presidente da empresa, Gersio Bonadio, culpa o governo do Estado de São Paulo pela situação e afirma que o parque industrial da Sófruta deverá ser transferido para o Nordeste em 90 dias ''se não houver um fato novo''. O fato novo seria o repasse de uma dívida equivalente a R$ 5,5 milhões que o Governo do Estado teria com a empresa.
Segundo ele, essa dívida é resultado da retenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS). Bonadio quz que o governo não vem cumprindo a lei que prevê a devolução de 8% do ICMS retido. A devolução de impostos foi a solução encontrada pelo Governo do Estado há dois anos para evitar a demandada de empresas de São Paulo para estados do Nordeste e Goiás atrás de isenções fiscais.
De acordo com Bonadio, ao ser adquirida de um grupo chileno, a empresa aumentou o faturamento de R$ 5 milhões em outubro para R$ 20 milhões em novembro e dezembro de 2004 e para R$ 17 milhões em janeiro e fevereiro deste ano, mas depois teve de reduzi-lo até cair a R$ 3 milhões em março, R$ 2 milhões em abril e a R$ 1,1 milhão em maio. Segundo ele, isso ocorreu porque a Sófruta garantia pagamento dos credores com o repasse dos créditos retidos pelo Governo e, como os recursos não foram repassados pelo Governo, a empresa perdeu capital de giro e a capacidade de disputa com os concorrentes.

mockup