Retaliações aos EUA saem em fevereiro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Denise Chrispim Marin<BR> Agência Estado 
Brasília - O governo brasileiro baterá o martelo sobre os dois pacotes de retaliação contra os Estados Unidos apenas em fevereiro, quando a Câmara de Comércio Exterior (Camex) dará aval às listas de produtos americanos que serão afetados e de medidas relativas à propriedade intelectual. Em princípio, essas listas deverão ser concluídas no final de janeiro. O calendário atrasa em pelo menos um mês as expectativas originais do Itamaraty, que esperava depositar os pacotes de retaliação na Organização Mundial do Comércio (OMC) no mês que vem.
Ontem, a delegação brasileira junto à OMC anunciou que o valor total da retaliação poderá alcançar US$ 829,3 milhões. O cálculo foi baseado no total de subsídios concedidos pelos Estados Unidos para a produção e exportação de algodão em 2008. Conforme a Camex havia antecipado na semana passada, essa decisão significa que as sanções sobre o comércio de bens americanos alcançarão US$ 530 milhões.
Mas o governo ainda está longe de fechar essa lista. Desde 1º de dezembro, técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Camex trabalham na depuração da relação de 222 produtos de consumo e insumos submetida a consulta pública em novembro. Essa lista não continha bens de capital - máquinas e equipamentos. Essa consulta resultou em 729 solicitações de exclusão de bens específicos e 39 de inclusão de itens.
O restante da retaliação, de US$ 299,3 milhões, será aplicado sobre propriedade intelectual e depende da edição da medida provisória que trará as normas para a aplicação de sanções nessa área. De acordo com a Camex, o texto está pronto para ser encaminhado ao Congresso, mas a Casa Civil ainda aguarda o melhor momento.
A MP permitirá a adoção de quatro tipos de sanções. A primeira será a suspensão do direito de propriedade intelectual (patentes, marcas e copyright) detidas por empresas americanas ao longo do período de retaliação. No presente caso, até que os EUA eliminem os subsídios condenados pela OMC no contencioso do algodão.
A segunda modalidade de sanção prevê a imposição de uma taxa sobre as remessas de royalties relacionados com a propriedade intelectual. A terceira suspende o envio do valor total do royalty aos EUA. A última prevê a suspensão do direito de propriedade intelectual em importações paralelas, ou seja, permitirá a importação de medicamentos, inclusive genéricos, cujas patentes sejam detidas por laboratórios americanos.


