O abastecimento do trigo no Brasil está sujeito a duas situações que devem afetar diretamento os preços, a julgar pelas avaliação do analista da Trigonet, Leopoldo Saboya.
1) Com a possibilidade de embargos comerciais aos países do Oriente Médio que não se aliarem aos EUA contra o terrorismo, a Argentina pode ficar impedida de negociar com o Irã e Iraque, principais importadores de trigo argentino, depois do Brasil. Com maior volume estocado, preço tende a diminuir, puxando também queda de preço no trigo produzido no Brasil, balizado pelo patamar argentino.
2º) Instalando-se um ''cenário de guerra'' mais definido, a principal preocupação do setor é com o tráfego internacional de navios.
''Isso pode causar um grande problema logístico, impulsionando a sensação de que haja a falta de alimentos, diferente do pensamento atual que é de haver sobra, confirmado com as quedas das commodities agrícolas desde a volta das bolsas americanas após os atentados'' - explica Saboya.
Para este ano, a estimativa é de importação de 7 milhões de t de trigo argentino, sendo que até o final de agosto já tinham sido negociadas 4,8 milhões de t. Para 2002, a estimativa de importação de trigo argentino é de 6,3 milhões de t, volume menor devido ao aumento da produção brasileira, que deve chegar a 3 milhões de t.

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