Vânia Casado
De Curitiba
A reunião de Seattle nos EUA foi frustrante, mas a briga pela Rodada do Milênio da Organização Mundial do Comércio está apenas começando. Essa é a opinião das entidades representantes de produtores paranaenses como a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), que manifestavam expectativas em relação à reunião da Organização Mundial do Comércio, com 135 países participantes, encerrada na última sexta-feira.
O presidente da Faep, Ágide Meneguette, disse que a decisão em não discutir os subsídios agrícolas dados pelos países desenvolvidos aos seus produtores já era esperado. O que não era esperado - acrescentou - foi a inclusão de cláusulas subjetivas de comércio que não estavam previstas na discussão. Meneguette se referiu ao pronunciamento do presidente norte-americano Bill Clinton, sobre a exploração do trabalho infantil, citando o Brasil entre esses países.
Para o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, depois da frustração de Seattle os negociadores brasileiros devem se concentrar agora nas reuniões das comissões restritas que serão realizadas em Genebra, a partir de janeiro de 2.000. Mas ele concorda que o pronunciamento de Clinton representa um ponto negativo para o Brasil e sinaliza um retardamento das negociações para o corte dos subsídios e a discussão sobre a abertura de mercado, temas que estavam sendo aguardados com tanta ansiedade, lembrou.
Koslovski defendeu que os temas que envolvem a abertura comercial e os subsídios agrícolas dos países ricos têm que ser analisados com mais profundidade e posição firme de países como o Brasil. Segundo ele, os reflexos negativos da abertura são flagrantes com cerca de 1 bilhão de pessoas desempregadas em todo o país.

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