Resultados da aftosa devem sair em outubro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de setembro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Seis meses após o fim dos sacrifícios sanitários ainda paira a dúvida: o rebanho paranaense foi contaminado pelo vírus da febre aftosa? Os exames de necropsia pedidos pelos sete pecuaristas envolvidos na questão, que deveriam ficar prontos em 20 dias, foram concluídos somente nesta semana. No entanto, não há o laudo conclusivo da comissão de necropsia, que deverá se reunir somente a partir da próxima semana, em Curitiba, para discutir os resultados.
Segundo o professor Raimundo Tostes, coordenador do curso de Medicina Veterinária do Cesumar e membro da comissão de necropsia houve atrasos no processamento dos materiais por parte do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa) e da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Além desta questão, há o imbróglio para a retomada do antigo status do Paraná: a de área livre de aftosa com vacinação. Pelas normas da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o Estado já poderia retomar a sua antiga condição porque já passaram mais de 180 dias do fim dos sacrifícios sanitários.
No entanto, problemas nos exames de sorologia em animais localizados dentro do raio perifocal (10 quilômetros a partir do foco confirmado) das fazendas de Loanda (102 km a oeste de Paranavaí) devem atrasar ainda mais a questão. Segundo Walmir Kowaleswki, superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Paraná, o Departamento de Sanidade Animal (DSA) do órgão solicitou informações complementares sobre a movimentação de animais na região de Loanda durante o período do vazio sanitário (seis meses após o fim dos abates).
O questionário foi encaminhado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) na semana passada. Através da assessoria de imprensa, a Seab informou que deverá devolver o relatório ao DSA somente na próxima semana. ''Somente depois de receber esse relatório é que poderá ser concluído o processo sanitário do Estado'', disse Kowaleswki. Se o DSA considerar conclusiva as explicações é que será enviado um relatório à OIE para pedir a retomada do antigo status do Paraná. A organização internacional deve se reunir no próximo mês, mas especialistas na questão acreditam que o caso do Estado não deverá ser discutido já neste encontro devido ao trâmite burocrático do processo entre a Seab e o Mapa.
Fragilidade - Na avaliação de Raimundo Tostes, a ''crise'' da aftosa foi gerada pela fragilidade nas questões sanitárias. ''Os criadores se mobilizaram com a criação da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), mas não houve avanços na questão da sanidade por parte dos governos'', comenta. Segundo ele, é necessária a contratação de técnicos estaduais e federais e os laboratórios têm que ser melhor equipados para atuar nos momentos de crise.
''Para controlar a doença tem que ser feito um projeto a médio e longo prazo. Uma avaliação do Grupo Interamericano de Erradicação da Febre Aftosa (formado por países sul-americanos) indicam a necessidade de US$ 10 milhões por ano para erradicar a doença no continente. O Brasil não pode trabalhar somente com uma solução nacional, só faz sentido um plano continental'', informa Tostes. Para ele, as regiões de fronteira são os pontos mais críticos.
O superintendente do Mapa confirma que o órgão sempre teve contingenciamento de recursos nos orçamentos, aliás, ''como todo segmento público''. Ele também reconheceu a necessidade de contratação de mais técnicos para atuar na vigilância e no trânsito de animais. ''Mas ter status de área livre de aftosa com vacinação significa que estamos em uma área de risco, que a doença não foi totalmente erradicada e as fronteiras apresentam um risco maior'', salienta.
Segundo ele, um plano continental para erradicação da doença já está sendo elaborado e deverá ser posto em prática a partir do próximo ano. Além disso, já foi aberto edital de concurso público para contratação de 390 fiscais para todo o território nacional. ''No Paraná temos um déficit e ainda temos um agravante de que 30% dos fiscais já têm tempo para se aposentar e não há previsão de reposição desses funcionários. O ministério já foi informado e tem agilizado a questão'', informa.


