São Paulo - O comportamento das vendas do comércio varejista em novembro acima do esperado pela maioria do mercado financeiro reforça o grau de aquecimento da demanda doméstica nacional e a estimativa de que o Banco Central deverá elevar a taxa básica de juros na próxima semana. A avaliação é do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, que, em análise encaminhada à imprensa, destacou que, com a possibilidade de manutenção dos bons resultados para o setor também em dezembro e com uma expectativa de aceleração da produção industrial no último mês de 2010 para uma expansão em torno de 1%, trabalha com uma previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha apresentado uma ''alta expressiva na margem'' no quarto trimestre de 2010.
''Com essa leitura, sugerindo uma atividade doméstica mais aquecida quando comparamos com o terceiro trimestre, reforçamos nossas expectativas de que o Banco Central iniciará seu ciclo de aperto monetário em janeiro, na reunião agendada para a semana que vem'', salientou a equipe do Bradesco, liderada pelo diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos, Octavio de Barros, referindo-se à reunião do Comitê de Política Monetária nos próximos dias 18 e 19.
Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, por meio da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que as vendas no setor em novembro de 2010 apresentaram expansão de 1,1% ante outubro do ano passado, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou no teto do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de -0,50% a 1,10%, e superou a mediana positiva, de 0,50%. Na comparação com novembro de 2009, as vendas do varejo tiveram alta de 9,9%.
''O crescimento de 1,1% ante outubro configurou uma surpresa positiva, ficando acima das nossas expectativas e da projeção do mercado, de alta de 0,5% na margem, e acima da alta de 0,3% verificada em outubro'', destacaram os membros da equipe do Bradesco. ''Essa aceleração também foi observada para as vendas ampliadas, que consideram também os setores de Automóveis, Motos, Partes e Peças e Material de Construção, que se expandiram 1,4%, em termos dessazonalizados, ante alta de 1,1% verificada em outubro'', acrescentaram.
De acordo com os economistas, de uma forma geral, a ''forte expansão'' das vendas de bens duráveis compensou a estabilidade observada no segmento de supermercados. ''Na margem, oito das dez atividades consideradas na pesquisa registraram crescimento. Dentre elas, destacamos: Equipamentos e Materiais para Escritório, Informática e Comunicação (10,5%), Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (6,6%) e Móveis e Eletrodomésticos (2,4%)'', listaram. ''Já os setores de Super e Hipermercados e Tecidos, Vestuário e Calçados mostraram enfraquecimento, com quedas de 0,1% e 3,6%, respectivamente, na mesma base de comparação'', complementaram.

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