Os resultados positivos da produção imobiliária em Curitiba, em 96, não geram boas perspectivas para a construção civil em 97. A análise foi feita ontem pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado doaraná (Sinduscon-PR), Gustavo Daniel Berman, num almoço de fim-de-ano do setor.
A produção imobiliária em Curitiba, neste ano, foi cerca de 20% superior à de 95, porém, segundo Berman, além da base de comparação ser baixa - 1995 foi um ano ruim para o setor - a redução dos financiamentos para a construção civil registrada em 96 deverá refletir no mercado a partir do ano que vem.
Apesar das perspectivas, a construção civil vive um momento de estabilidade em relação aos custos de seus insumos. O Custo Unitário Básico (CUB) de novembro, por exemplo, registrou uma variação de apenas 0,21%, contra uma inflação de 0,20%, de acordo com o IGP-M. A mão-de-obra variou apenas 0,02%, enquanto que os materiais subiram 0,41%. O CUB acumulado no ano é de 10,18%.
Berman criticou a política habitacional do governo federal e lembrou que quase 80% da produção vem sendo financiada através de recursos das próprias construtoras e incorporadoras. ‘‘É preciso que as instituições financeiras, seguradoras e os fundos de pensão passem a investir no setor. Este não é o papel da indústria da construção’’, disse.
O presidente do Sinduscon comentou, ainda, que a entrada de recursos externos é importante, mas não há como captar dinheiro no exterior enquanto os próprios investidores brasileiros não apostarem nesse mercado. ‘‘O Brasil tem que fazer a lição de casa’’, brincou.
Para atenuar a falta de recursos, Berman reivindica a liberação de um terço dos 15% do empréstimo compulsório da caderneta de poupança. Segundo ele, a diferença poderia significar uma injeção de R$ 2,5 bilhões para o financiamento imobiliário. Na avaliação dele, estes recursos poderiam aliviar as dificuldades do setor, enquanto o governo analisa a substituição do Sistema Financeiro da Habitação por outro modelo.
‘‘A implantação do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), projeto de lei em estudo na esfera federal, ainda deverá demorar no mínimo dois anos’’, acredita Berman. Isso porque, segundo ele, a proposta só será viável quando as taxas de juros de longo prazo forem menores que as de curto prazo.
A estimativa do Banco Central é que em 98 haverá uma inversão, com as taxas de longo prazo sendo menores. ‘‘Enquanto isso não acontece, esperamos que governo acolha a reivindicação dos construtores’’, concluiu Berman.

mockup