Resultado de 96 não anima construção
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quarta-feira, 04 de dezembro de 1996
Isabela França 
Os resultados positivos da produção imobiliária em Curitiba, em 96, não geram boas perspectivas para a construção civil em 97. A análise foi feita ontem pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado doaraná (Sinduscon-PR), Gustavo Daniel Berman, num almoço de fim-de-ano do setor.
A produção imobiliária em Curitiba, neste ano, foi cerca de 20% superior à de 95, porém, segundo Berman, além da base de comparação ser baixa - 1995 foi um ano ruim para o setor - a redução dos financiamentos para a construção civil registrada em 96 deverá refletir no mercado a partir do ano que vem.
Apesar das perspectivas, a construção civil vive um momento de estabilidade em relação aos custos de seus insumos. O Custo Unitário Básico (CUB) de novembro, por exemplo, registrou uma variação de apenas 0,21%, contra uma inflação de 0,20%, de acordo com o IGP-M. A mão-de-obra variou apenas 0,02%, enquanto que os materiais subiram 0,41%. O CUB acumulado no ano é de 10,18%.
Berman criticou a política habitacional do governo federal e lembrou que quase 80% da produção vem sendo financiada através de recursos das próprias construtoras e incorporadoras. É preciso que as instituições financeiras, seguradoras e os fundos de pensão passem a investir no setor. Este não é o papel da indústria da construção, disse.
O presidente do Sinduscon comentou, ainda, que a entrada de recursos externos é importante, mas não há como captar dinheiro no exterior enquanto os próprios investidores brasileiros não apostarem nesse mercado. O Brasil tem que fazer a lição de casa, brincou.
Para atenuar a falta de recursos, Berman reivindica a liberação de um terço dos 15% do empréstimo compulsório da caderneta de poupança. Segundo ele, a diferença poderia significar uma injeção de R$ 2,5 bilhões para o financiamento imobiliário. Na avaliação dele, estes recursos poderiam aliviar as dificuldades do setor, enquanto o governo analisa a substituição do Sistema Financeiro da Habitação por outro modelo.
A implantação do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), projeto de lei em estudo na esfera federal, ainda deverá demorar no mínimo dois anos, acredita Berman. Isso porque, segundo ele, a proposta só será viável quando as taxas de juros de longo prazo forem menores que as de curto prazo.
A estimativa do Banco Central é que em 98 haverá uma inversão, com as taxas de longo prazo sendo menores. Enquanto isso não acontece, esperamos que governo acolha a reivindicação dos construtores, concluiu Berman.


