A Reforma da Previdência deve ser prioridade na agenda do novo presidente do Brasil, cujo nome será conhecido no dia 28 de outubro. A afirmação é da doutora em Economia pela USP, Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos. Reconhecida como uma das mulheres mais influentes do País, Zeina veio a Londrina a convite da Bravus Investimentos, escritório credenciado da XP, para proferir palestra sobre perspectivas em relação ao cenário econômico atual. O evento foi promovido em parceria com o Conselho da Mulher Empresária da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina).

"O sentimento das pessoas é que o cenário econômico vai se estabilizar após a eleição, mas isso não é bem verdade. Haverá uma tranquilidade pelo fim da incerteza em relação ao resultado, mas os problemas econômicos, que são graves e urgentes, permanecerão", afirmou.

Para ela, o cenário de tranquilidade só vai começar se estabelecer se o presidente eleito conseguir pautar com rapidez as reformas necessárias. A possiblidade de vitória de Jair Bolsonaro, porém, impõe um cenário composto por um presidente sem experiência no poder Executivo e um Congresso renovado, composto por muitos parlamentares também inexperientes. "Além disso, sabemos que os grupos de sustentação ao possível governo de Bolsonaro estão preocupados com pautas corporativas, ou seja, vão defender pautas de setores específicos. O novo presidente vai precisar de habilidade política para negociar", opina.

O início do mandato, quando o novo presidente terá capacidade política, será a época ideal para negociar a Reforma da Previdência, considerada a mais urgente. "Teremos que analisar o trabalho da equipe de transição, se haverá sinais de comprometimento com as demandas mais urgentes", destacou.

Ela também ponderou que, apesar do mercado celebrar as pesquisas que dão vantagem a Bolsonaro, isso não significa que a vitória do candidato trará fim às incertezas. "Passada a eleição, o mercado ‘vira a página’ e põe no radar a necessidade da reforma da previdência", reforça, lembrando que caso não ocorra, o desequilíbrio das contas públicas traz de volta o risco da inflação.

Diante da incerteza, como ficam os investidores? Para Zeina, a hora é de adotar uma postura cautelosa, reavaliar a carteira de investimentos e aproveitar as oportunidades sem correr riscos. "O cenário atual aumenta a necessidade de buscar assessores de investimentos preparados para orientar os clientes. Acompanhar o mercado de perto é fundamental para guiar decisões em um panorama de incerteza", diz.

mockup