O governo do Paraná espera para hoje ou amanhã o resultado dos exames que confirmariam ou não a presença do vírus da febre aftosa no Estado. Desde o dia 21 de outubro, 24 animais foram isolados com suspeitas de terem contraído a doença. Esse gado foi vendido em um leilão realizado em Londrina e teria tido contatos com animais oriundos do Mato Grosso do Sul, onde foram confirmados vários focos de aftosa.
De acordo com o vice-governador Orlando Pessuti, secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, o Estado será avisado do resultado oficial dos exames por técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). ''O material para necrópsia chegou em Belém (PA) no dia 31 e ainda estamos no prazo para realização dos exames biológicos, que é de oito dias'', disse.
No entanto, Pessuti afirmou que independente do resultado de aftosa ser positivo ou negativo, o Estado já está trabalhando para aumentar os esforços para proteção das fronteiras entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul. ''Hoje o Mato Grosso do Sul representa um risco maior do que quando o foco foi anunciado'', disse. Na ocasião, era apenas um foco, hoje são 22.
Algumas estratégias, inclusive, já estão em discussão com o governador Roberto Requião (PMDB), Conselho Nacional de Sanidade Animal e entidades ligadas ao agronegócio. Entre as propostas, estão a criação de mais unidades veterinárias na fronteira entre os dois Estados, a contratação de mais técnicos, a implantação de mais barreiras volantes e fixas e uma melhor estrturação dessas equipes.
Vacinação A partir da próxima segunda-feira, a Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab) vai começar um trabalho de vacinação assistida contra a febre aftosa em assentamentos, acampamentos, comunidades indígenas, e propriedades de mini-agricultores familiares. Até quarta-feira, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) apresentarão um levantamento sobre as demandas de campo, como número de animais e localização deles.
O diretor-geral da Seab, Newton Pohl Ribas, acredita que os rebanhos nessas propriedades devem chegar a 20 mil cabeças, e se comprometeu a doar as doses de vacinas para imunizar o gado. ''Tão logo tenhamos a relação dos assentamentos e acampamentos fornecidos pelo Incra, estaremos acionando todos os Núcleos Regionais para que sejam feitas reuniões de sensibilização e de orientação com as comunidades envolvidas, sobre o processo de vacinação'', explicou Ribas, por meio da Agência Estadual de Notícias. A vacinação assistida deverá ser realizada de 14 a 20 de novembro.
De acordo com o superintendente regional do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, existem hoje no Paraná 285 assentamentos com 18 mil famílias (controlados oficialmente pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), e 110 acampamentos, com 13.499 famílias.

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