Restrição de crédito ameaça empresas do PR
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A crise norte-americana já traz impactos fortes ao Paraná e chega através de dois canais - restrição de crédito e aumento de preços, especialmente das commodities (produtos que têm cotação no mercado internacional). As afirmações são do professor de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fábio Dória Scatolin. Segundo ele, a crise provocou redução de liquidez devido as dificuldades que as empresas têm para fazer empréstimos. Esse cenário, de acordo com ele, pode trazer queda de demanda e de produção que leva à redução da atividade econômica, o que pode provocar desemprego e recessão.
Os reflexos da crise americana sobre a economia foram debatidos ontem na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) com a presença de professores de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A reunião teve como mediador o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, e o objetivo foi esclarecer empresários e representantes de entidades de classe sobre os impactos dos problemas americanos para a economia local.
Scatolin destacou que, apesar de o Banco Central ter reduzido o depósito compulsório dos bancos, estas instituições preferem deixar os recursos em títulos do Tesouro Nacional do que emprestar para as empresas. Ele defende que o Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE), o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal junto com os bancos privados poderiam ajudar a minimizar a recessão com a liberação de crédito.
''O crédito de curto prazo já está faltando para as empresas'', destacou. Segundo ele, a linha de crédito para contratos de adiantamento de exportação também ''secou''. Há projetos que estavam ''saindo da gaveta'' e podem ficar sem investimentos. Scatolin defende um alongamento das linhas de crédito para as empresas.
''Tem quem já se jogou no mar'', disse o professor de economia da UFPR, Adilson Volpi, ilustrando o caso de empresários que já tomaram crédito. Ele também defende um alongamento dos prazos para manter os negócios destas empresas em operação. Scatolin disse que, com isso, as empresas teriam um custo maior com o aumento dos prazos, mas assim continuam com a atividade em funcionamento. Ele afirmou que é preciso as empresas estarem saudáveis para pegarem a ''saída da crise''.
Ele lembrou que, há três meses, a crítica das indústrias e do agronegócio era que o câmbio trazia problemas de competitividade, mas o preço das commodities estava alto. Hoje, o valor das commodities caiu e a demanda pelos produtos brasileiros deve diminuir. Ele acredita que deve ser estabelecido um novo patamar de câmbio no País mais favorável ao desenvolvimento da indústria.
Scatolin acredita que o ''lado bom'' da crise é que o dólar voltou a um patamar mais adequado para o País. Segundo ele, o setor automobilístico é o principal da pauta de exportação e devem ser estimuladas as vendas externas de produtos com maior valor agregado. O professor prevê que um aumento das commodities a médio prazo, independente do valor do dólar. ''A crise é mais profunda do que se esperava'', disse.
O professor de economia da UFPR, Gabriel Porcile, disse que a demanda por commodities está caindo e é difícil prever a duração da crise americana porque os Estados Unidos estão em plena batalha eleitoral.


