Paulo WolfgangFôlegoLouzada: ‘‘Empresas ganham condições para investir em tecnologia’’Embora sejam bem-vindas as medidas adotadas pelo governo para salvaguardar a indústria nacional têxtil e de confecção, empresários desse setor em Londrina afirmam que falta tecnologia e de mão-de-obra qualificada para que os produtos brasileiros tenham melhores condições de competir com os importados.
O presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário do Paraná (Sivepar) José Antônio Cavichioli afirma que o setor têxtil e o de confecção não pode ser pego de surpresa com a vinda dos importados, principalmente os produtos asiáticos. ‘‘Com o custo que eles produzem, não há condições de competir. Precisamos de salvaguarda para continuarmos no mercado, principalmente num momento em que a indústria nacional está em busca de modernidade e tecnologia’’, diz.
Na opinião de Júlio Louzada, empresário de confecção e diretor do Sivepar, essas medidas protecionistas do governo, adotadas agora, servem para dar um tempo para que as empresas nacionais busquem tecnologia.‘‘A abertura indiscriminada do mercado nacional fez sofrer demais os setores têxtil e de confecção. A indústria nacional não tem tecnologia, paga uma pesada carga tributária e não tem uma mão-de-obra qualificada’’, diz Louzada.
‘‘Nesse tempo também deve acontecer a a reforma administrativa do governo, que quero acreditar que vai mexer no perfil tributário, fazendo com que as empresas não precisem repassar os impostos para os seus preços’’, afirma Louzada. Segundo ele, esse tempo também serviria para as empresas se equiparem e profissionalizarem a mão-de-obra. ‘‘Os preços mais competitivos não servem apenas para a concorrência internacional, já que a maioria das empresas vende no mercado interno’’.
Proprietária da uma confecção, Josefina Segantini ressalta que os micro e pequenos empresários não têm acesso a equipamentos automatizados por falta de crédito para a importação. ‘‘Não há apoio do governo nem dos bancos. Costumo brincar que o setor de confecção no Brasil, além de enfrentar os importados a um custo baixíssimo, fabrica a prego e martelo. Os outros países já estão automatizados faz tempo’’.
Josefina afirma que o setor de confecção gera um grande número de emprego, mas a mão-de-obra é basicamente sem qualificação. ‘‘Não sei se o trabalhador não sabe que esse setor demanda qualificação ou se as próprias empresas ou o poder público são responsáveis por esse quadro. Só sei que o setor está bastante abandonado’’.
Mesmo sem ser afetado com o sistema de cotas, Rui Itimura, da Itimura Têxtil, que industrializa o rami, afirma que qualquer benefício para o setor de confecção atinge indiretamente a indústria têxtil. ‘‘Qualquer tentativa de contenção de importação é interessante porque mostra que o governo acordou e está adotando medidas para os setores têxtil e de confecção, que têm sofrido muito no País’’.
Para Itimura, o governo foi feliz ao escolher o sistema de cotas, a exemplo dos países mais desenvolvidos. ‘‘Se o governo aumentar a taxa de importação em 100%, os chineses baixam os preços de seus produtos em 50% porque a política de preços lá é política e não baseada em custos reais’’, analisa. Com relação ao rami, Itimura afirma que dificilmente o governo vai mexer nesse setor porque a Braspérola - grande indústria têxtil - importa 100% do linho e ‘‘ela tem muita influência no País’’.
Segundo a contadora da Toyo Sen I, Érica Luísa Haber Schoreder, o rami chinês chega no Brasil com preço bem abaixo de qualquer concorrência. Ela enfatiza que falta financiamento para as empresas modernizarem o parque industrial. ‘‘O juro bancário é muito alto, desestimulando o investimento na produção. A produção do rami requer também investimentos em insumos para que o produto tenha qualidade. É preciso dar crédito para o setor’’.

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