Ney de Souza/Arquivo FolhaGolpe duroSacoleiros serão os mais atingidos pelas medidas de restrição porque vão ter que passar a comprar à vista, com desembolso maior: medida diminui a evasão de divisas do BrasilUm brasileiro gasta hoje, em média, US$ 150 por dia no exterior, enquanto a despesa média de um estrangeiro no Brasil é de US$ 70 (descontando despesa com hotel e transporte). Esta diferença é ainda mais evidente quando se compara o gasto diário de um turista argentino, que é de US$ 46,25 diários. Agora, com a decisão do governo de acabar com o parcelamento para as compras feitas com cartão de crédito no exterior, deverá ocorrer uma relação mais equilibrada entre esses gastos, na opinião do presidente da Empresa Brasileira de Turismo, Caio Luiz de Carvalho.
A proibição para o parcelamento do cartão de crédito, segundo Caio de Carvalho, deverá atingir principalmente o chamado ‘‘sacoleiro’’, que viaja ao exterior e traz artigos para revender no Brasil normalmente pelo dobro do preço. A medida, segundo ele, é importante para evitar a evasão de divisas, na medida em que os gastos do turista brasileiro no exterior só ficam abaixo dos realizados por japoneses, alemães e americanos. Somente de janeiro a abril, as despesas com cartão de crédito no exterior atingiram US$ 1,2 bilhão.
Um turista americano gasta no Brasil, em média, US$ 190 diários, enquanto um alemão dispende no mesmo período US$ 170,79. O problema, é que embora as despesas sejam bem mais elevadas, o número de turistas desses dois países é pequeno. Do total de 2,3 milhões de turistas que visitam o Brasil, os Estados Unidos enviam apenas 11%, enquanto da Alemanha vêm apenas 5%. Os argentinos, que gastam apenas US$ 46,25,totalizam o maior número de turistas, com 32%.
Para aumentar o fluxo de turistas provenientes dos países desenvolvidos, o presidente da Embratur diz que o País precisa investir mais em infra-estrutura básica, aperfeiçoamento da prestação de serviços hoteleiros, modernização da legislação e ampliar os investimetnos em marketing e propaganda. Um dos abusos citados por ele, que limitava a vinda de turistas estrangeiros, por exemplo, era a proibição para os navios de outros países explorarem a costa brasileira.
Essas medidas, segundo ele, já começaram a ser adotadas pelo governo, cujo Plano Plurianual de Investimentos prevê a aplicação de US$ 2,6 bilhões até 1999. O item limpeza urbana,está em segundo lugar na reclamação dos turistas, com 19,1%.Em primeiro lugar, está a péssima sinalização turistica. Já segurança pública, passou para o terceiro lugar, com 13,1% das reclamações.
Dados A Embratur, na realidade, não possui um levantamento completo sobre quanto os turistas estrangeiros deixam em recursos no Brasil a cada ano. Os gastos feitos com cartão de crédito, por exemplo, não são contabilizados corretamente. Caio de Carvalho explica que o Banco Central acaba fazendo uma compensação entre as despesas feitas por brasileiros no exterior com as realizadas pelos estrangeiros em território nacional. Como resultado, contabiliza apenas a diferença liquida.
Os dados levantados pela Embratur contemplam de forma mais efetiva apenas o fluxo de turistas. E este ano, pela primeira vez, foi possível apresentar o levantamento feito no anterior. O presidente da Embratur apresentou nesta sexta-feira os números referentes a 1996. A principal novidade é com relação ao turismo empresarial - turismo de negócios, congressos e convenções, que aumentou de 26,9% em 1995 para 28% no ano passado. A principal causa desse crescimento, segundo Caio de Carvalho, foi a estabilização da moeda, a consolidação do Mercosul e a maior busca de investidores estangeiros.
A cidade que recebeu maior impulso dentro do turismo de negócios foi São Paulo. Do total de 2,3 milhões de estrangeiros que desembarcaram no Brasil, 22,4% foram para a capital paulista. Em 1995, esse número era de 19,9%. O Rio de Janeiro, no entanto, continua sendo a cidade brasileira mais visitada, com 30,5% de visitantes estrangeiros. Foi registrada uma queda significativa, contudo, em relação a 1995, quando 41,8% dos turistas desembarcavam na capital carioca. Florianópolis, enquanto isso, foi a cidade que apresentou a maior demanda percentual em termos de turismo. Em 1995, 11,4% do total de estrangeiros visitaram a capital catarinense. Em 1996, esse índice alcançou 17%.

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