RESTRIÇÃO - Barreiras comerciais fragilizam Mercosul
Há dois meses, a fábrica de doces Dori, que tem sede em Rolândia e Marília, não carrega sequer um caminhão para a Argentina, país onde tem vários clientes. Já a indústria de molas Aesa, de Cambé, acaba de fechar dois contratos no valor de US$ 100 mil com um cliente argentino, mas a venda não pode ser concluída porque o comprador não conseguiu obter licença de importação.
Os dois exemplos regionais mostram que o Mercosul, criado há 20 anos, não vai bem das pernas. Vendemos para a Argentina há 20 anos. Nunca tivemos problemas até então. As restrições começaram há mais ou menos um ano. E estão ficando cada vez piores, afirma Carlos Assis, gerente de Exportação da Dori. Ele não informa quanto os negócios com o país vizinho representam no faturamento da fábrica, mas sentencia: é um mercado muito importante para nós.
Apesar das rodadas de negociações que estão sendo realizadas entre os dois países, Assis se diz pessimista quanto a uma solução rápida para o problema. O governo brasileiro está preocupado em resolver a exportação de produtos como carros e máquinas agrícolas. Doce é café pequenoanesta disputa, lamenta.
Diretor comercial da Aesa, André Bearzi conta que seu cliente argentino tenta efetivar a compra há dois meses. Ele pede licença para importação, mas a licença não sai, afirma. São dois pedidos de compra que totalizam US$ 100 mil dólares. Exportando também para outros países, Bearzi diz que o Mercosul é uma frustração no que tange às relações com a Argentina. Os negócios com o Paraguai e o Uruguai estão sendo feitos normalmente, ressalta.
● As disputas comerciais com o país vizinho se agravaram no mês passado, quando o Brasil, pela primeira vez, optou pelo caminho da retaliação e suspendeu as licenças automáticas para importação de veículos
● O Mercado Comum do Sul (Mercosul), formado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, foi instituído por meio do Tratado de Assunção em 1991, mas a integração ainda não é efetiva





