Restaurantes também têm ano indigesto
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sábado, 12 de dezembro de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
A crise econômica que atingiu o País neste ano também deve trazer reflexos negativos para os setores de restaurantes e brindes. Alguns estabelecimentos devem conseguir manter o movimento do ano passado, mas já há locais que esperam queda de até 30% no movimento neste final de ano em relação ao mesmo período de 2014.
O diretor do conselho administrativo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) do Paraná , Délio Canabrava, disse que o setor teve seis meses de queda de movimento, e que o final de ano não será suficiente para recuperar as perdas. Segundo ele, neste ano, foi necessário reduzir o custo fixo e cortar cerca de 20% dos funcionários. A queda de movimento registrada de maio até agora foi de 30% em função da crise econômica, informou.
Canabrava contou que o setor tem investido em marketing, inovação, criatividade, design, redes sociais e publicidade, além de tratar bem o cliente no ponto de venda e caprichar no cardápio. Mesmo com todo este investimento, a previsão é que o movimento tenha uma queda de 10% em dezembro em relação ao mesmo período do ano passado. "Em dezembro, ainda temos o custo com o pagamento do 13º salário para os funcionários", disse.
A churrascaria Batel Grill, localizada em Curitiba, espera uma queda de 30% no movimento neste final de ano. O sócio-proprietário do restaurante, Cristiano Luiz Mocellin, disse que em todos os anos, no final de novembro, a agenda de eventos já estava lotada, o que não ocorreu neste ano. Segundo ele, há empresas que estão restringindo o jantar de fim de ano só para funcionários da diretoria.
Mocellin contou que uma das saídas encontradas para driblar a crise foi criar pacotes com bebidas não alcoólicas e sem taxa de 10% de serviço para alguns dias da semana, para atrair os clientes. Além disso, é oferecido sashimi à vontade todos os dias. "Isso vai ajudar a não ser um dezembro tão ruim", disse. "Temos clientes que vinham toda semana na churrascaria e agora vêm uma vez por mês", contou.
O tradicional restaurante Madalosso de Santa Felicidade, em Curitiba, espera, ao menos, manter o mesmo movimento do ano passado. "Podemos dizer que para nós está bom. Não mexeu quase nada com a crise. O nosso restaurante é bastante frequentado, recebemos pessoas da cidade e turistas do Brasil todo, principalmente de São Paulo, Belo Horizonte, Mato Grosso e do Nordeste", disse a proprietária Flora Madalosso Bertolli.
Segundo ela, em dezembro do ano passado, o restaurante atendeu 74 mil pessoas em dezembro. Flora disse que, em relação aos outros meses do ano, dezembro tem um crescimento de 25% a 30% no movimento. A média mensal de refeições servidas durante o ano é de 56 mil a 60 mil. O restaurante tem 46 anos, 4.600 lugares e 265 funcionários.


