A alta generalizada no preço dos alimentos e a queda do poder aquisitivo do brasileiro tornaram-se sinônimo de prejuízo para os proprietários de restaurantes. Em Londrina, nos últimos seis meses, o custo operacional desses estabelecimentos aumentou 35%, enquanto o fluxo de clientes diminuiu 20%.
Cientes da falta de dinheiro no bolso dos fregueses, as empresas não reajustaram seus preços. O resultado dessa combinação é que entre 10% a 15% dos funcionários dos restaurantes foram demitidos, o que totaliza 250 a 300 pessoas que ficaram sem emprego no último semestre. ''Está virando um problema social'', criticou Alzir Bocchi, superintendente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina.
Segundo ele, 10% das empresas de alimentação que abriram em Londrina, recentemente, acabaram fechando suas portas. E as 390 que permanecem na atividade entram em uma sequência sem fim de empréstimos a juros altos e consequente inadimplência. ''Andamos no fio da navalha'', disse.
Dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) indicam que o arroz subiu 84% e o feijão 55%, nos últimos 12 meses. Produtos como farinha de trigo e derivados, verduras, legumes, óleo de soja, gás e combustível, entre outros, também acumulam alta significativa.
Rogério Vinícius Antunes Castro, proprietário do Restaurante La Nona, conhece bem as consequências dessa crise. Depois de acompanhar, mês a mês, a evolução dos preços dos insumos, concluiu que a maior parte dos alimentos subiu no mínimo 90%. O movimento, por outro lado, caiu 45%. E ele próprio não faz retiradas há quatro meses.
''As pessoas não têm mais condição de almoçar em restaurante todos os dias'', reclamou o empresário, que cobra R$ 12,90 pelo quilo de refeição durante a semana desde que comprou o restaurante, há 10 meses. No fim de semana, o preço passou de R$ 13,90 para R$ 14,90. As entregas diminuíram em 50%, de vinte para dez por dia. ''E os valores também reduziram, a maior parte é marmitex''.
A consequência é que Castro demitiu seis dos 12 funcionários. ''Isso dói muito'', lamentou, acrescentando que pretende superar a crise com pequenas inovações que não aumentem o custo. ''Colocamos a chapa de carnes na frente do restaurante. O cheiro chama clientes'', exemplificou.
Com estrutura maior, o empresário Enio Luiz Sehn Junior, sócio-proprietário dos quatro restaurantes Dá Licença, conta com a vantagem de diluir os custos entre as várias lojas para conseguir melhores resultados. Mesmo assim, enfrenta dificuldades para manter os preços e não afugentar os clientes.
''Além dos alimentos, os derivados de petróleo como os papéis das mesas e as sacolas subiram muito'', lembrou, explicando que esses produtos, assim como o óleo de soja, adquiriram importância na elaboração do custo final. ''Esperávamos que, com a baixa do dólar, os preços também caíssem. Mas isso não aconteceu'', comentou.
Para manter a atividade, a empresa adotou a estratégia de reajustar ''a conta-gotas'', aumentando o mínimo necessário para manter o negócio. Com o quilo custando R$ 13,70, Sehn lamenta que precisará subir o preço em 5% nas próximas semanas: ''Seguramos o quanto podemos.''

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