Curitiba Bares e restaurantes de Curitiba não aceitaram pagamentos em tíquetes-refeição durante todo o dia de ontem, em protesto contra o sistema de cobrança feito pelas empresas responsáveis. A manifestação marcou o início a um movimento nacional do setor, lançado ontem, durante o 17º Congresso Nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que acontece em Curitiba até sábado. Hoje os empresários devem agendar um Dia Nacional de Boicote aos Tíquetes para o mês de outubro, com expectativa de obter 100% de adesão do setor.
Os donos dos estabelecimentos reclamam das altas taxas de administração cobradas pelas empresas de tíquetes, principalmente as maiores. Segundo o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci Júnior, as grandes companhias cobram taxas que variam entre 5,5% a 8% do faturamento bruto do restaurante, além de outras taxas como inscrição e cadastro. ''No final, chega-se a pagar até 10% sobre o faturamento das empresas'', diz. Outras administradoras de tíquetes de menor porte, de acordo com ele, cobram taxas bem menores, de 2 a 2,5%.
''As maiores, que têm acesso a capital barato cobram até duas vezes e meia a mais do que as pequenas'', diz Solmucci. Hoje, alguns restaurantes recebem até 90% do seu faturamento na forma de tíquetes. ''Nesses casos, o impacto é de até 5% a mais no preço final da refeição. Quem sai perdendo é o consumidor'', avalia Solmucci. O empresário Massimo Lorenzetti, proprietário de quatro restaurantes que trabalham com tíquetes em Curitiba, também acredita que o consumidor é quem acaba arcando com o prejuízo.
Cerca de 40% dos pagamentos feitos em seus restaurantes são na forma de tíquete. Ao todo, ele paga entre R$ 6 mil a R$ 8 mil por mês às operadoras de tíquetes, sem contar os valores já pagos como aluguel de máquinas e taxa de inscrição.
Outro problema, segundo a Abrasel, refere-se ao uso de dinheiro público. Isso porque as grandes empresas aderem aos tíquetes em função do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), do Governo Federal, que prevê isenção fiscal sobre seus investimentos em alimentação com vales. ''As grandes indústrias não pagam imposto, e o governo ainda incentiva a criação dos vales''.
A Abrasel estuda, agora, meios de cobrar o cumprimento de um compromisso assinado em 2003 entre o Governo Federal, empresas de refeição-convênio e a Abrasel, na gestão do então Ministro do Trabalho Francisco Dornelles. Na época, foi acordado que as taxas não poderiam ultrapassar 3,5% sobre o faturamento, passando para 2,5% no ano seguinte e 2% nos próximos. ''Esse compromisso está sendo desrespeitado'', diz Solmucci. Essa denúncia já havia sido levada ao ex-ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini, e será encaminhada novamente ao atual ministro, Luiz Marinho. A Abrasel também estuda meios jurídicos para cumprimento do acordo.
A Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), que reúne as grandes empresas, informou, por meio da assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre essa questão.

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