Restaurantes populares conquistam público
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quinta-feira, 30 de outubro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Alguns restaurantes de Londrina perceberam que a popularização dos serviços é a alternativa mais simples e eficiente para a manutenção da clientela, frente à estagnação econômica. Pratos feitos e self-service com comida à vontade por preços acessíveis são a nova cartada dos restaurantes.
Conhecendo que tipo de público pretendia atender graças à sua experiência na administração das cantinas na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o empresário José Ricardo Jabur já tinha em mente suprir as necesidades de uma fatia do consumidor famosa por sua baixa renda: os estudantes.
Jabur abriu seu restaurante na Rua Espírito Santo, próximo ao Colégio Londrinense e à Universidade Filadélfia (área central). Inicialmente, a intenção do empresário era tirar da ociosidade seus 20 funcionários, parados devido à mais longa greve que a UEL já enfrentou, no segundo semestre de 2001. ''Para nós, foi muito frustrante, pois tínhamos toda a logística para atender a milhares de estudantes por dia, mas estávamos parados'', conta.
Planejamento rigoroso de gastos e trabalho sem estoque de alimentos são os diferenciais do restaurante de Jabur, permitindo a prática de preços baixos para o consumidor: prato executivo a R$ 3,50, acompanhado de refresco e sobremesa, ou R$ 5,00 por comida à vontade, também com os acompanhamentos. ''Arrebanhamos muitos estudantes moradores aqui da região, além do pessoal que trabalha no comércio.'' Hoje, o restaurante recebe até gerentes de bancos: ''A propaganda boca-a-boca é o nosso principal comercial''.
Planejamento idêntico é adotado pelo restaurante da família Arilho, na Rua Benjamin Constant (também área central), próximo ao Pronto Atendimento Infantil (PAI). Oferecendo pratos executivos por preços entre R$ 2,80 e R$ 3,30, o estabelecimento conseguiu conquistar um público cativo, formado principalmente pelos funcionários do PAI e por pessoas que trabalham longe de casa, no centro da cidade. ''Trabalhando sem estoque, conseguimos oferecer comida fresca sem desperdício. Isso permite trabalhar com preços mais baixos'', conta Marcos Rodrigo Arilho, da família proprietária do restaurante.
Restaurantes desse tipo precisam manter um controle rigoroso de desperdício, pois trabalham com margens reduzidas de lucro. Esse é o motivo para que o trabalho com estoque seja deixado de lado. Jabur, por exemplo, visita praticamente todas as manhãs os estoques da Central de Abastecimento (Ceasa) para a compra de alimentos. Só depois de confirmada a qualidade dos produtos é que o cardápio para o dia será definido. No caso do restaurante dos Arilho, a situação é a mesma. ''Arroz e feijão são suprimentos comprados rigorosamente de acordo com as necessidades do dia. Afinal, fazemos dinheiro com o volume, não com o preço'', conclui Arilho.
O comerciante José Aribaldo Ferreira e seus companheiros representam o consumidor típico desses restaurantes. Trabalhando no centro da cidade, Ferreira acredita ser muito mais prático almoçar nos restaurantes populares do que voltar para casa: ''O preço é bem ascessível e a comida sempre nos agradou.'' E mesmo quem está almoçando pela primeira vez nesse tipo de estabelecimento aprova a idéia, como o pastor Geraldo Freitas, que esteve no centro da cidade somente para levar a neta ao PAI. ''Gostei muito da comida (do Restaurante Arilho). Se continuar sempre assim, está ótimo''.


