Restaurante Popular, almoço com qualidade a R$ 1
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segunda-feira, 30 de abril de 2007
Maigue Gueths Equipe da Folha 
Curitiba - O estudante de Educação Física Daniel Ribeiro de Lima, de 23 anos, tem um orçamento apertado. Ele gasta pelo menos R$ 300 por mês, valor que só é garantido graças a uma ginástica financeira, já que a remuneração do estágio é de apenas um salário mínimo. Bolsista da Pontifícia Universidade Católica (PUC), não paga mensalidade, para ir ao trabalho usa a bicicleta ao invés de ônibus, com moradia gasta R$ 150 por mês na Casa do Estudante Universitário (Ceu), e no almoço tem a sorte de poder contar com um restaurante popular, que serve refeições de qualidade por apenas R$ 1,00.
Diego faz parte de um grupo de 300 pessoas que, de segunda a sexta-feira, almoçam no restaurante comunitário Prato Popular, que funciona desde agosto de 2005 em Curitiba, em uma iniciativa da Coca-Cola Brasil em parceria com a Spaipa, sua fabricante no Paraná. Assim como ele, aposentados, catadores de papel, vendedores ambulantes, pessoas que vivem de atividades informais, engraxates, moradores de rua e as prostitutas que atuam no Passeio Público, em frente ao restaurante, fazem parte do grupo de 600 pessoas que estão cadastradas junto ao estabelecimento. A capacidade de atendimento, no entanto, é limitada a 300 refeições por dia.
''Venho todo dia. E vou reclamar porque não tem almoço aos sábados'', brinca o vendedor autônomo, Hiram Siqueira, 53 anos, que junto com o amigo, o vendedor de perfumes Amauri Benvenuti, 69, são fregueses desde a abertura do estabelecimento. Para Benvenuti, cuja renda varia entre R$ 200 a R$ 400 por mês, os finais de semana pesam no bolso. ''Daí o jeito é comer um salgado, fazer algo em casa ou pagar mais caro'', diz
Diferença - Almoçar a R$ 1,00 faz uma diferença drástica no bolso. Uma pessoa que consuma uma refeição barata, a R$ 3,50, de segunda a sexta gastaria R$ 77,00 em um mês com 22 dias úteis. A R$ 1,00 seu gasto cai para R$ 22,00 no mês, R$ 55 a menos. ''Para quem ganha um salário mínimo (R$ 380), significa uma economia de 14,5%. É uma economia relevante'', analisa o economista Sandro Silva, do Dieese.
Ao contrário de outras cidades, como São Paulo e Belo Horizonte, que têm vários restaurantes mantidos pelo Estado ou municípios, a Prefeitura de Curitiba não dispõe de nenhum serviço desse tipo. O município chegou a manter, por duas vezes, um restaurante popular, mas os dois acabaram fechando. Em junho, a prefeitura inaugura o novo restaurante Popular, na Rua da Cidadania da Matriz, localizado na Praça Rui Barbosa, no centro da cidade.
Com 785 metros quadrados, terá cozinha especialmente equipada para produzir 2 mil almoços, de segunda a sexta-feira. O preço da refeição deve ficar entre R$ 1 e no máximo R$ 1,50. O projeto prevê a possibilidade de servir jantar ou um sopão. Ao contrário do Prato Popular, o Restaurante Popular será aberto à população.
A construção do restaurante está sendo viabilizada com recursos do Ministério do Desenvolvimento Social. A Prefeitura também invete R$ 1,75 milhão na obra. O município ainda estuda a forma de gerenciamento do restaurante. Segundo o secretário Municipal de Abastecimento Norberto Anacleto Ortigara, a tendência é que o serviço seja terceirizado para alguma entidade social, a exemplo do que é feito hoje nos restaurantes populares de São Paulo.
O cardápio no Prato Popular inclui carne, arroz, feijão, uma guarnição (batata, verdura refogada, aipim etc), salada e um refrigerante. O mesmo planejado pela prefeitura. Em ambos, o serviço conta com a supervisão de um nutricionista, de modo a garantir uma refeição balanceada e de qualidade.


