Responsabilidade social também entre pequenos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de junho de 2007
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
A produção com materiais ecologicamente corretos parece não sair mais de moda. Pelo contrário, a impressão que se tem, principalmente em épocas de intensas campanhas de preservação ambiental, é que o processo só tende a ampliar. A responsabilidade social, a preocupação em não agredir a natureza, os cuidados com o futuro do Planeta estão na cartilha não apenas de grandes empresas, mas também na de pequenos empresários e artesãos, que utilizam materiais alternativos e sustentáveis para a criação de seus produtos.
Em Londrina e região, por exemplo, a produção ecologicamente correta vai de bijuterias feitas com sementes, alpargatas com tecido vegetal à vasos decorativos elaborados com restos de podas de árvores. Alguns materiais são da própria região, outros vêm direto da Amazônia e de mais partes do País. Sustentabilidade em alta e bons negócios à vista: o resultado da produção também é vendido pelas redondezas ou viaja o Brasil e o mundo.
Contente com a nova forma de desenvolver alpargatas - agora alguns modelos são totalmente ecológicos - o microempresário e artesão Reinel Bento Munhoz Albano é um desses preocupados com o meio-ambiente. ''Descobri que poderia fazer um modelo 100% natural. Além de contribuir com a natureza, estou agregando valor a um produto que agora pode ser feito apenas com materiais ecologicamente corretos'', disse Bento, que deu início à criação de alpargatas há um ano - com tecidos feitos no tear - e há cerca de três meses começou a desenvolver os novos modelos ecológicos.
Ele contou que a idéia de elaborar as alpargatas ecológicas surgiu depois de ter acesso a uma pesquisa elaborada por uma faculdade do estado do Acre, que desenvolve o látex vegetal, retirado direto da Seringueira. Em seguida, fez contato com duas indústrias têxteis, que produzem um tecido de juta - fibra vegetal da Amazônia.
Albano contou que toda a produção é artesanal, os calçados são feitos um a um, por ele mesmo ou por profissionais que tem treinado. Ele frisou que vai continuar com a produção da peças com tecido de algodão feitos no tear, mas vai abrir mais espaço para os calçados ecológicos. ''As empresas que me vendem o tecido e o látex vegetal para o solado, também estão comprando os calçados que produzo. Elas serão responsáveis por vendê-los'', contou o artesão.
Ele adiantou que a primeira leva, que já totaliza 250 pares, será exposta na Mega Feira de Artesanatos que acontece em São Paulo, em julho. O artesão acredita que, de lá, as peças serão vendidas para todo o País. Já os calçados com tecido de tear são vendidos em lojas de Londrina e região. A intenção de Albano é daqui para frente produzir mensalmente 500 pares de alpargatas ecológicas e 300 das artesanais. Os calçados de tecido de tear custam em média R$ 45, no varejo. Já as ecológicas ficam em torno de R$ 38.
Restos de árvores- De Londrina para o resto do País. Esse é o trajeto percorrido pelas peças do microempresário, marceneiro e artesão Ermelindo Divino Alves. Produzidos magistral e delicadamente, os vasos e itens de decoração criados por ele são vendidos nas lojas mais sofisticadas e enfeitam os ambientes mais elegantes. Quem vê uma das peças de Alves, nem imagina que a matéria-prima seja restos de podas de árvores.
''Nasci dentro de uma marcenaria, sempre trabalhei com isso. Mas há oito anos veio a idéia de utilizar as madeiras que sobravam das podas das árvores. Já consegui produzir muita coisa bonita'', enfatizou. Os primeiros tocos de árvores saíram do próprio quintal, depois o artesão começou a recolher material na rua, buscar no depósito da prefeitura e hoje recebe até a contribuição de amigos.
Segundo Alves, o que sai da pequena fábrica vai para cidades da região e até para feiras no Rio Grande do Sul. Uma peça que varia de R$ 30 a R$ 55, direto na fábrica, chega a ser vendida em lojas de decoração por até R$ 150. ''Me sinto lisonjeado em ver meu trabalho ser reconhecido, em ver que fiz um produto bonito'', contou. Além de restos de podas, o marceneiro também fabrica molduras para espelhos com madeiras recicladas, feitas com tábuas de peroba retiradas de casas demolidas. ''Dessa forma desenvolvo itens, com produtos naturais, mas sem agredir a natureza'', reforçou.


