Responsabilidade social de empresas já influencia consumo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo As ações das empresas na área de responsabilidade social já influenciam a decisão dos consumidores no momento da compra. A tendência, que vem sendo verificada há algum tempo, foi reconfirmada pela terceira edição da pesquisa feita pelo Instituto Ethos Empresas e Responsabilidade Social e a Indicator Pesquisa de Mercado, divulgada recentemente.
De acordo com o levantamento realizado com 1.002 pessoas em 11 regiões metropolitanas do País, perto de 14% dos entrevistados deixaram de comprar produtos de empresas que não são consideradas responsáveis socialmente e 16% afirmaram ter prestigiado alguma marca relacionada a iniciativas positivas para a comunidade.
A colaboração com escolas, postos de saúde ou entidades sociais e a contratação de deficientes foram apontadas como os critérios com maior peso na decisão do consumidor. Por outro lado, a veiculação de propaganda enganosa e a realização de danos físicos ou morais aos trabalhadores funcionaram como desestímulo à compra. A preocupação com a poluição ambiental ficou na quarta posição na pesquisa.
Os resultados indicaram uma estabilidade do comportamento do consumidor com relação ao ano passado. Na pesquisa de 2001, os porcentuais foram praticamente os mesmos: 13% dos entrevistados afirmaram ''ter punido'' uma empresa em decorrência da falta de responsabilidade social e 16% prestigiaram um produto cujo fabricante mostrou uma postura mais preocupada com a comunidade.
O levantamento mostrou também que alguns critérios éticos exercem pouca pressão sobre o consumidor. Apenas 23% disseram não comprar produtos de empresas que sonegam impostos e 11% não levam em conta o suborno de agentes públicos.
O Brasil ficou em 14º lugar na lista de países onde a sondagem foi realizada, à frente da França e da Espanha, porém atrás da China, África do Sul e até da Nigéria. De acordo com o diretor-presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, os índices estão relacionados à gravidade dos eventos ocorridos em cada país, o que contribui para uma postura mais critica e rígida dos consumidores.


