Resíduos de café podem virar ração e substituir os aromas sintéticos
Resíduos de café são problema. Mas podem ser solução, segundo estudos da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atualmente, casca, palha e borra de café não têm valor comercial e ainda poluem. Esses subprodutos vão virar matérias-primas para ração. No caso da casca - vista como prejudicial aos animais por causa de sua grande concentração de cafeína -, a saída está no processo de detoxicação biológica. A proposta foi apresentada ontem no III Seminário Internacional sobre Biotecnologia na Agroindústria Cafeeira (Sibac) que se realiza em Londrina.
Estudos de tese de mestrado e doutorado na UFPR apontam com grande chance de transformação dos resíduos em alimentos comercialmente viáveis. Os dados foram apresentados pelo professor Carlos Ricardo Soccol, responsável pela orientação da tese. Outra alternativa de comercialização em fase de investigação é o uso das folhas, casacas e borra para produção de fungos comestíveis. Mas, segundo o próprio professor, talvez a mais interessante forma de aproveitar esses resíduos seja a sua transformação em aroma frutais microbianos. Estes aromas são naturais e poderiam substituir os aromas sintéticos usados na indústria de alimentos. Os estudos apontam inclusive o valor comercial do quilo do produto.
Ontem também falaram o consultor de marketing cafeeiro, Carlos Brando (sobre tipos de preparo que determinam a qualidade do café) e técnicos do México e Colômbia, sobre tecnologias visando qualidade e padrão. Houve plenária e sessões sobre qualidade e manejo de café.
Professor Soccol, coordenador de teses de doutorado sobre aproveitamento de resíduosUm dia de Campo sobre Modelo Iapar de Café Adensado deve levar os participantes do Seminário à Fazenda Experimental do instituto. Será a partir das 14 horas.
Tumoru Sera, coordenador do evento, está confiante de que os principais objetivos do seminário, a discussão e a difusão dos resultados de pesquisas, serão alcançados. Ontem ele vez uma avaliação positiva do evento:
Conseguir trazer o III Sibac para o Brasil foi o primeiro passo. Depois, mesmo com a crise econômica, os organizadores conseguiram fechar o melhor conteúdo possível na área de pesquisa sobre biotecnologia na agroindústria cafeeira. O resultado é a presença de quinhentas pessoas, entre cafeicultores, industriais e pesquisadores.
Tumoru também informou que os debates extra-palestras estão satisfazendo as expectativas da comissão técnica que tem sido rigorosa quanto à eficácia do evento. Aquilo que não foi apresentado em conferência também está sendo discutido, garantindo um intercâmbio de idéias, disse Tumoru Sera. As linhas básicas do Seminário são desenvolvimento de variedades por vários processos, qualidade, industrialização de subprodutos e controle através de biopesticidas. O conteúdo técnico contemplou bem as questões ambientais.
Hoje, ele apresenta a palestra A Biotecnologia no Desenvolvimento de cultivares num menor prazo, no Modelo Iapar de Café Adensado. O conteúdo da pelestra é o resultado de 25 anos de pesquisas em variedades para que se possa reduzir o tempo gasto no desenvolvimento de uma planta ideal, com atributos como resistência, alta produtividade, uniformidade dos frutos, etc.Paulo WolfgangCasa cheiaO Seminário sobre biotecnologia reúne 500 técnicos de todos os países produtores de caféDa Redação





