Resíduos de café podem gerar economia de até R$ 300 milhões
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segunda-feira, 30 de junho de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
O aproveitamento das águas residuais provenientes do beneficiamento do café como fonte de potássio para lavouras pode gerar uma economia de até R$ 130,00 por hectare cultivado. Somente no Paraná, isso pode representar, para o bolso dos produtores de café, uma economia de mais de R$ 16 milhões anuais, considerando-se a área utilizada para plantio do produto no Estado, de cerca de 127 mil hectares, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento.
Esses números fazem parte de uma pesquisa desenvolvida desde 1999 pelo professor Antônio Teixeira de Matos, do Departamento de Engenharia Agrícola e Ambiental da Universidade Federal de Viçosa (MG). O Departamento participa do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desnvolvimento do Café, que reúne entidades de todo o País, inclusive a Emater-PR, as universidades Estadual de Londrina (UEL) e Federal do Paraná (UFPR), além do Deral. Em todo o Brasil, o reaproveitamento dos resíduos do beneficiamento do café podem representar economia de até R$ 300 milhões anuais.
''A iniciativa de pesquisar fins ambientalmente sustentáveis para os resíduos provenientes do beneficiamento do café surgiu depois que percebemos que esse processo começou a ser difundido entre os produtores da região de Viçosa (MG)'', explica o professor Antônio Teixeira. ''O beneficiamento foi popularizado porque o produtor percebeu que a lavagem do café traz grandes benefícios para a qualidade do produto''.
Essa lavagem, segundo Teixeira, produz águas residuais com potencial poluidor dez vezes superior ao do esgoto residencial. O projeto de reaproveitamento dessa água visa utilizá-la como fonte de potássio de lavouras, um dos principais minerais utilizados em plantações, junto com o nitrogênio e o fósforo. Sem esses mineirais, a qualidade e a produtividade das lavouras ficam gravemente prejudicadas.
''O processo de purificação dessa água é complexo e caro. Além do mais, estaríamos jogando potássio fora'', afirma Teixeira. Para a utilização da água residual nas lavouras, o único tratamento preliminar exigido é a filtragem do material, para evitar entupimento das vias de distribuição do adubo. ''Além disso, só é necessário fazer o controle da quantidade utilizada na lavoura'', completa o professor.
Considerando-se que o potássio proveniente desse processo pode ser utilizado em qualquer cultivar, a economia para a agricultura paranaense e nacional pode ser muito mais significativa que os R$ 300 milhões provenientes das lavouras de café. Na região de Viçosa, os métodos para reaproveitamento do potássio já estão sendo divulgados entre os produtores, por meio de palestras e programas de extensão à comunidade. ''Infelizmente, desde o ano 2000 não são publicados editais para a liberação de verbas para essa pesquisa. A divulgação desse projeto em caráter nacional ficou prejudicada'', reclama Antônio Teixeira.
Neste ano, os produtores de café do Paraná devem colher mais de 2 milhões de sacas do produto, ou 126 mil toneladas.


