Reservatórios do Norte do Paraná estão entre os mais esvaziados do país
Represas de Capivara, Chavantes e Mauá operam entre 42% e 52%; retorno das chuvas pode aliviar bandeira tarifária de energia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de outubro de 2025
Represas de Capivara, Chavantes e Mauá operam entre 42% e 52%; retorno das chuvas pode aliviar bandeira tarifária de energia

A estiagem registrada nos últimos meses no Norte do Paraná e interior de São Paulo impactou o nível dos reservatórios da região. Apesar de não apresentarem situação crítica, estão entre os mais baixos do país. Os volumes das represas da bacia do Paranapanema variam entre 42% a 52% da capacidade, índices bem abaixo se comparados aos da Bacia do Rio Iguaçu, no sul do Estado, onde os níveis superam os 90%.
A Usina Hidrelétrica Capivara, localizada entre Porecatu e Taciba (SP), opera com apenas 43,99% do volume útil, o que a torna a represa mais esvaziada do Estado. No Norte Pioneiro, a Usina Hidrelétrica Chavantes, entre Ribeirão Claro e Chavantes (SP), mantém 48,32% da capacidade, enquanto a Usina Governador Jayme Canet Júnior (Mauá), no rio Tibagi, entre Telêmaco Borba e Ortigueira, registra 52,44%.
A condição do nível dos reservatórios da região só é mais favorável do que as do Sistema do Rio Grande, entre São Paulo e Minas Gerais, onde represas como Furnas (39,45%), Marimbondo (28,90%) e Água Vermelha (27,10%) operam com volumes ainda menores.
De acordo com a classificação adotada pelo setor elétrico, o nível dos reservatórios abaixo de 30% é considerado crítico, pois pode comprometer a segurança do abastecimento de energia e aumentar a necessidade de acionamento de termelétricas, que têm custo mais elevado. Quando o volume útil está entre 30% e 50%, o risco é considerado elevado, o que exige ações preventivas, como o uso mais racional da água e alertas para o sistema elétrico. Já os níveis entre 50% e 70% indicam uma situação de atenção, podendo gerar alertas em períodos de estiagem prolongada.
Acima de 70%, o cenário é classificado como confortável ou seguro para a geração de energia. Este é o caso dos reservatórios do Sistema do Rio Iguaçu, no Sul do Paraná, onde reservatórios como a Foz do Areia, Salto Santiago, Segredo e Santa Clara mantêm níveis acima de 90%, refletindo chuvas regulares e um regime hídrico muito mais favorável.
Bandeira vermelha
A situação dos reservatórios tem influência direta sobre a bandeira tarifária de energia, atualmente em vermelha patamar 1, após ter passado pelo patamar 2, a mais severa. Quando os níveis dos reservatórios estão baixos, as hidrelétricas, que respondem por mais de 60% da geração no país, reduzem sua capacidade de produção. Para garantir o fornecimento de energia, o governo precisa acionar usinas termelétricas, que utilizam combustíveis fósseis e têm custo de operação mais alto. Esse aumento de custos é repassado ao consumidor por meio do sistema de bandeiras tarifárias, que sinaliza o encarecimento da geração e busca estimular o uso racional da energia até que o regime de chuvas normalize o volume dos reservatórios.
Tradicionalmente, o retorno das chuvas de fim de ano contribui para a recuperação gradual dos níveis dos reservatórios e, consequentemente, para a redução das bandeiras tarifárias, trazendo um alívio aos consumidores e diminuindo a pressão sobre a geração e o custo da energia elétrica.
Boletim
O boletim PMO (Programa Mensal da Operação) do ONS (Operador Nacional do Sistema) correspondente à semana operativa entre 4 e 10 de outubro prevê estabilidade nos níveis dos reservatórios em todos os subsistemas do país. A região Sul tem a melhor previsão de EAR (Energia Armazenada), e deve chegar ao final do mês com 87,4%. O Norte vem em seguida, com 68,4%, enquanto o Nordeste deverá fechar o mês com 49,2% e o Sudeste/Centro-Oeste, 46,4%.
“Estamos acompanhando em tempo real os cenários dos reservatórios e preparados para atender plenamente a demanda da sociedade. Seguimos atentos às projeções futuras para adotar as medidas necessárias para permanecer com a continuidade da confiabilidade e da segurança do sistema”, afirma o diretor-geral do ONS, Marcio Rea. (Com informações do ONS)


Celso Felizardo
Editor com foco em conteúdo e planejamento.


