Reservas têm saldo recorde: US$ 73,8 bi
Reservas têm saldo recorde: US$ 73,8 bi
Agência Estado
As reservas internacionais do País fecharam o mês de abril com o saldo de US$ 73,8 bilhões no conceito de caixa, que considera os recursos efetivamente disponíveis. Em liquidez internacional - conceito que inclui créditos a serem recebidos -, as reservas atingiram o total de US$ 74,6 bilhões. Nos dois conceitos, os volumes de divisas são recordes históricos.
Fontes da diretoria do Banco Central consideram que o atual nível de reservas supera em muito o volume necessário para que o governo tenha tranquilidade para enfrentar qualquer adversidade na área externa, como no período da crise asiática. Poderíamos ter entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões a menos de reservas, afirmou uma destas fontes. Se perdêssemos uns US$ 7 bilhões ainda teríamos US$ 55 bilhões.
Os novos volumes de reservas correspondem a 15 meses de importação, nível que não era atingido desde agosto do ano passado. No mês, o aumento das reservas chegou a US$ 6,1 bilhões.
Embora este crescimento de divisas seja positivo do ponto de vista externo, a acumulação de reservas provoca crescimento da dívida mobiliária. Isso porque, no momento em que adquire a moeda estrangeira, o governo é obrigado a emitir títulos para enxugar o excesso de dinheiro em circulação no mercado. E tem de remunerar com juros quem adquire os títulos.
De acordo com o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, hoje a dívida de curto prazo contraída pelo Brasil representa um total de 55,8% das reservas internacionais. É o menor nível dos últimos quatro anos, pois em 97 esta relação chegou a 67,6% ante os 62,9% de 96 e 58,9% de 95.
Lopes ressaltou que, ao contrário dos que pregam especialistas do mercado - alguns deles consideram que esta relação indica vulnerabilidade do País -, a maior parte da dívida de curto prazo refere-se às operações de comércio. As operações de comércio jamais foram afetadas por qualquer crise, afirmou.
Outra parte da dívida de curto prazo está em operações de 63-Caipira, aquelas destinadas ao financiamento agrícola mas que, até março, vinham sendo desviadas para aplicações em renda-fixa. O prazo mínimo das 63-Caipira é de seis meses.
Até março último, a dívida externa do País totalizou US$ 212,4 bilhões, o que representa a parcela de 26,6% do Produto Interno Bruto (PIB) ou 3,1 vezes o valor das reservas internacionais. Destes US$ 212,4 bilhões, US$ 38,2 bilhões são referentes a dívidas de curto prazo contraídas pelos setores público e privado. Os outros US$ 174,1 bilhões também são dívidas dos governos e de empresas, mas de médio e longo prazos.





