As reservas internacionais do País continuaram em queda em novembro e fecharam o mês com o saldo de US$ 51,17 bilhões, o menor nível desde dezembro de 1995. Em relação a outubro, a redução de divisas ficou em US$ 1,67 bilhão que, somados aos US$ 8,29 bilhões da queda ocorrida naquele mês, totalizam perdas de US$ 9,97 bilhões nos dois meses. No início deste mês, no entanto, as reservas começaram a apresentar recuperação e, segundo já informou o Banco Central, estão próximas de US$ 54 bilhões.
Ao fazer uma comparação com a perda de reservas ocorrida na crise de 95, o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, estimou que a recuperação de divisas agora será mais rápida. Naquele ano o Brasil demorou sete meses até a primeira entrada significativa de recursos externos no País. Foi em julho de 95, quando as reservas tiveram um aumento de US$ 8,31 bilhões.
‘‘Vamos recuperar logo’’, previu o chefe do Depec. Lopes disse ainda que a situação do Brasil era mais frágil em 1995 para enfrentar a crise, iniciada em dezembro de 1994 com a ‘‘quebra’’ do México. Isso porque a maior perda naquele ano ocorreu em março, quando US$ 4,25 bilhões das reservas de US$ 33,74 bilhões deixaram o País. ‘‘O impacto foi diferente’’, compara Lopes. A fuga de divisas naquela época, no entanto, foi provocada pelo próprio Banco Central que, ao instituir o sistema de bandas cambiais, divulgou um comunicado confuso ao mercado.
Assustados com a crise do México - e que também já havia promovido uma redução superior a US$ 4 bilhões nas reservas -, os investidores internacionais fugiram do Brasil. A diferença agora, segundo o chefe do Depec, é que esses mesmos investidores já têm uma percepção mais clara da regionalização da crise asiática. Ou seja, começam a dissociar as condições da economia do Brasil da dos países asiáticos.
Lopes argumenta que, ainda em novembro, o Brasil recebeu um total de US$ 1,27 bilhão em investimentos diretos, os recursos que são destinados à área produtiva e, por isso, ficam em definitivo no País. Uma média diária de US$ 60 milhões. Neste total, não há qualquer dinheiro destinado à privatização de empresas. Até o último dia 11 o BC já contabilizou US$ 565 milhões de investimentos diretos, com uma média de US$ 63 milhões por dia.
A previsão é que o Brasil feche 1997 com US$ 16,5 bilhões de investimentos diretos, ou seja, US$ 1,5 bilhão acima das estimativas feitas no início do ano. Na conta de dezembro, lembrou Lopes, estarão contabilizados os recursos externos da privatização da Companhia Elétrica do Rio Grande do Norte (Cosern), vendida hoje. Para 1998 o chefe do Depec diz que a meta para o ingresso de investimentos diretos é de US$ 20 bilhões e ‘‘será facilmente atingida’’.

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