O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que as reservas em dólar do Banco Central estão próximas de US$ 70 bilhões, patamar nunca atingido antes. As reservas fecharam fevereiro em US$ 58,782 bilhões. O BC ainda não divulgou o valor de março, quando ingressou no País o volume recorde de US$ 11,95 bilhões pelo mercado de câmbio de taxas livres (operações de comércio, investimentos, financiamentos e empréstimos).
Até o último dia 7, o ingresso de recursos por esse mercado somou US$ 24,868 bilhões em 98, mais do que em todo o ano de 97 (US$ 17,663 bilhões). Só nos cinco primeiros dias úteis de abril, o volume de dólares que ingressou no País foi de US$ 4,074 bilhões.
A recuperação das reservas internacionais, que caíram para US$ 52 bilhões em dezembro do ano passado após a crise asiática, aconteceu principalmente por causa dos juros altos e do programa de privatização.
O atual volume recorde dá ao País mais tranquilidade na área externa. Tendo como base as importações do mês passado (US$ 5,091 bilhões), as atuais reservas são suficientes para 13 meses de compras externas. Em comparação com os US$ 36,4 bilhões de reservas em dezembro de 1994, o saldo verificado agora representa aumento de 92,3% em 39 meses do governo FHC.
A recuperação das reservas também dá mais espaço ao BC para reduzir as taxas de juros na próxima semana durante a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Hoje, a taxa anual está em 28%.
Embora a recuperação de reservas sejam positivos para o País porque reduzem o risco de uma crise externa, a elevação no ingresso de dólares também traz consequências negativas. Para evitar a queda na cotação da moeda o BC compra todos os dólares que entram no País. A compra é feita por meio da emissão de títulos públicos e, dessa maneira, crescem a dívida federal, os gastos com juros e o déficit público.

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