Brasília - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou ontem que as compras de dólares realizadas desde maio, quando a moeda norte-americana voltou a cair, ajudaram a recompor as reservas internacionais brasileiras, que atingiram nesta semana o patamar recorde de US$ 212 bilhões.
O número é cerca de US$ 7 bilhões superior ao valor registrado no início da crise. Além das compras do BC, contribuiu também a valorização dos títulos nos quais as reservas estão aplicadas.
''Uma parte disse é resultado da valorização dos títulos da aplicação das reservas, e outra parte é resultado das compras que o BC tem feito nos mercado. Isso mostra, mais uma vez, o nível de rapidez com que se normaliza a economia brasileira'', disse Meirelles durante audiência pública no Senado.
Dólares
O BC já resgatou ou recomprou cerca de 70% dos dólares injetados no mercado de câmbio durante o pior momento da crise econômica. Já voltaram para as reservas US$ 28,2 bilhões dos US$ 39 bilhões disponibilizados por meio de leilões de empréstimos e vendas de dólares. Os números apresentados ontem pelo presidente do BC se referem aos dados fechados até 31 de julho.
Até o fim do mês passado, o BC recomprou US$ 8,2 bilhões dos US$ 14,5 bilhões vendidos e resgatou US$ 20 bilhões dos US$ 24,5 bilhões em prestados. Além desses empréstimos e vendas, o BC realizou operações com contratos cambiais no valor de US$ 33 bilhões - operações que já foram ''zeradas'' há algumas semanas.
Durante a crise, o BC também realizou a liberação de quase R$ 100 bilhões dos depósitos compulsórios. Esse é o dinheiro que os bancos recebem dos clientes, mas não são obrigados a deixar depositados no BC, como uma reserva.
Com o crescimento dos depósitos bancários desde então, Meirelles estima que os compulsórios estejam hoje R$ 119 bilhões abaixo do valor que estariam dentro das regras pré-crise. Hoje, há R$ 179 bilhões em compulsórios depositados no BC.
Meirelles disse que economia brasileira está se recuperando do agravamento da crise financeira, mas que ainda é preciso manter o ''pé no chão''. Segundo ele, ''excessos de euforia'' nos mercado financeiro podem levar a uma volatilidade desnecessária.
Nas últimas semanas, o país vem registrando um forte fluxo de dólares, que vem derrubando a cotação da moeda norte-americana e levando a Bolsa de Valores a patamares próximos do registrado em 2008.
''O Brasil volta a retomar uma recuperação gradual e deve entrar em 2010 com uma trajetória de crescimento sustentado. Mas o fato concreto é que é a nossa função de banco central acautelar os mercados contra excessos de euforias'', afirmou o presidente do BC.
''Portanto, pé no chão. A perspectivas são positivas, mas é importante que mantenhamos uma postura de sobriedade, para que não se entre em uma euforia que se leve a decepções e, portanto, a uma volatilidade desnecessária.''

mockup