As reservas em moeda estrangeira do Banco Central já se encontram abaixo do volume projetado no acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) para o encerramento deste ano. O acordo prevê um volume de US$ 38,5 bilhões pelo conceito de reservas líquidas, o que não inclui o dinheiro emprestado pelo FMI, pelo BIS (o banco central dos bancos centrais) e pelo Banco do Japão. Até ontem, a saída líquida de dólares do País indicava que as reservas estão em US$ 36,850 bilhões.
Até o dia 24, a saída pelo mercado de câmbio somou US$ 3,526 bilhões. Desse total, US$ 1,916 bilhão saiu pelo segmento livre (comércio exterior e investimentos, como fundos, Bolsas e capital produtivo) e US$ 1,611 bilhão, pelo flutuante (turismo e contas CC-5, mantidas por residentes no exterior).
O BC vendeu ontem US$ 850 milhões das reservas, segundo o Departamento de Operações das Reservas Internacionais. Desse total, US$ 500 milhões foram usados para pagar compromissos da dívida externa brasileira. Neste mês, os vencimentos com os credores brasileiros do Clube de Paris somam US$ 850 milhões. O BC vendeu também US$ 350 milhões para empresas pagarem parcelas de dívidas privadas contraídas no exterior. A última posição oficial das reservas é de novembro, quando estavam em US$ 41,189 bilhões pelo conceito de liquidez internacional (que inclui dólares em caixa e créditos de curto, médio e longo prazos). Pelo conceito de reservas brutas (que inclui o dinheiro vinculado ao acordo), as reservas em dezembro estão bem acima de US$ 40 bilhões. Neste mês, o BC recebeu US$ 9,324 bilhões do FMI, do BIS e do Japão. Embora indique que a economia brasileira não está caminhando exatamente como previsto, a frustração da projeção das reservas não significa que o País ficará impedido de sacar novas parcelas.
O dinheiro é liberado pelo FMI mediante o cumprimento dos chamados ‘‘compromissos de desempenho’’. O único compromisso envolvendo as reservas estabelece um piso de US$ 20 bilhões. Caso elas fiquem abaixo desse valor, a liberação das parcelas é imediatamente suspensa e o governo volta a negociar com o FMI.

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