Na esteira da crise financeira instalada na Rússia, as reservas internacionais voltaram a cair em maio e fecharam o mês passado perto de US$ 72 bilhões, no conceito de liquidez. É a primeira vez que isto acontece depois do agravamento da crise asiática em outubro do ano passado, quando o Banco Central (BC) se viu obrigado a dar um choque de juros para superar o momento de turbulência. As reservas, nesse período, caíram de US$ 63 bilhões em agosto do ano passado e atingiram o nível mais baixo em dezembro, quando estavam em US$ 52,1 bilhões.
Apesar da queda, a chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin) do BC, Maria do Socorro de Carvalho, considera que ainda não está cristalizada uma tendência firme de queda das reservas. Ela prefere trabalhar com uma hipótese de estabilidade das reservas até o fim deste ano e acredita mesmo que esta tendência será verificada já neste mês. ‘‘A tendência é de estabilidade das reservas até o fim do ano’’, disse Maria do Socorro.
A estabilidade, na opinião de Maria do Socorro, será em grande parte garantida pelas privatizações do segundo semestre. A venda das empresas do Sistema Telebrás deverá ter, neste caso, peso especial por envolver quantias acima de R$ 13 bilhões. Mas, as captações de recursos no exterior feitas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Usinor garantirão, segundo Maria do Socorro, a estabilidade neste mês. ‘‘Temos alguns compromissos externos neste mês. Mas, as captações do BNDES e da Usinor deverão manter as reservas estáveis’’, afirmou. O BNDES fez, na semana passada, uma captação de aproximadamente US$ 1 bilhão mediante a colocação de títulos com juros flutuantes.
A redução verificada em maio, segundo a chefe do Depin, ainda não tirou as reservas internacionais de uma posição considerada ‘‘confortável’’. ‘‘Como diz o nosso diretor (Demósthenes Madureira de Pinho Neto, diretor de Assuntos Internacionais do BC), temos um bom colchão em reservas’’, comentou. Sob este aspecto, ela considera que as reservas não poderão ser apontadas como nenhum sinônimo de vulnerabilidade da economia brasileira. ‘‘Estamos tranquilos, temos um nível de reservas muito bom’’, comentou. O otimismo de Maria do Socorro não é compartilhado pelo seu antecessor na chefia do Depin, Joubert Furtado, que trocou o BC pela iniciativa privada.
Joubert Furtado acredita que o Brasil entrou ‘‘em uma linha de crise’’ e que o crescimento da candidatura das oposições às eleições presidenciais de outubro nas pesquisas de opinião poderá afugentar o capital externo do País. ‘‘Isto é natural em qualquer lugar do mundo. Na França, quando havia a expectativa de vitória eleitoral do candidato socialista (François Miterrand, em seu primeiro mandato), houve uma fuga de capitais. Até o acervo de quadros da França diminuiu’’, comentou Furtado.

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