Reservas cambiais devem preocupar só no médio prazo
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de outubro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O Brasil terá de se preocupar com o nível de reservas cambiais somente no médio prazo, afirmou ontem o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Carlos Alberto Bifulco, ao analisar o temor do mercado de que o País queime as reservas agora para evitar que o dólar suba ainda mais.
''O Banco Central está com uma política correta nesta área. O único erro do BC ocorreu na antecipação da marcação a mercado dos títulos públicos, exigida dos fundos de investimento. Hoje, as reservas estão ao redor dos US$ 30 bilhões e ainda há outros US$ 27 bilhões acertados com o Fundo Monetário Internacional que o próximo governo poderá sacar.''
Para Bifulco, não deveria haver preocupação de curto prazo em relação às reservas cambiais. A atenção, segundo ele, deve estar voltada para o início do novo governo e para as novas solicitações de metas pelo FMI. O importante, para ele, é saber se o gasto das reservas vão permitir que o nova administração se aprume e comece a governar. ''Este é um questionamento de médio prazo.''
Bifulco diz que o próximo governo deve entender que alguns preços têm de flutuar, como é o caso dos valores fixados, por exemplo, pela Petrobras. ''É preciso entender que a batalha de intervir no preço está fora de moda e que o superávit fiscal deve continuar'', afirma.
Segundo Bifulco, o discurso de baixar os juros, já utilizado pelo candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, é incoerente. ''Pode provocar uma corrida ao dólar. E aí, sim, teria-se de ter muito chumbo para se aguentar'', disse, referindo-se a intervenções do BC para segurar o câmbio.


