Arquivo FolhaAltamir Lopes, do BC: ‘‘É difícil saber qual o nível ideal’’As reservas internacionais brasileiras atingiram a marca de US$ 72,5 bilhões no último dia 14, segundo informaram ontem fontes do Banco Central. O mercado estima que o saldo poderá chegar a US$ 80 bilhões ainda neste mês.
Ontem o BC anunciou oficialmente o nível das reservas em março: US$ 68,594 bilhões no conceito de liquidez internacional e US$ 67,772 bilhões no conceito de caixa. São recordes históricos. O primeiro valor inclui, além dos recursos imediatamente disponíveis, os créditos que o País tem a receber no exterior. Os valores divulgados representam aumentos de 16,6% e 18% sobre os saldos de fevereiro.
O aumento acelerado das reservas já começa a provocar, no mercado, discussões sobre até que ponto o saldo pode aumentar sem representar custos exagerados para o País. Havia uma expectativa, até a semana passada, de que o fluxo deveria reduzir-se a partir da segunda quinzena deste mês. Porém, os técnicos do Banco Central já admitem que isso não deverá acontecer, a julgar pelos números dos primeiros dias de abril.
Nos primeiros 15 dias deste mês o Brasil havia recebido US$ 1,128 bilhão em novos investimentos diretos e US$ 234 milhões de aplicações de portfólio - investidores institucionais aplicando no mercado de capitais brasileiro e captações em American Depositary Receipts (ADR). Ambos os valores são líquidos, ou seja, contabilizam os ingressos no período, descontados os recursos das mesmas contas enviados ao exterior.
Em março os ingressos líquidos em portfólio chegaram a US$ 1,401 bilhão e os investimentos diretos, US$ 2,321 bilhões. Os fundos de renda fixa receberam em março US$ 284 milhões líquidos e US$ 671 milhões até o dia 15. Esse último valor, porém, inclui US$ 669 milhões em recursos apenas transferidos de aplicações do FIF para a renda fixa.
As captações de recursos externos para financiamento rural, conhecidas como 63 Caipira, somaram US$ 2,178 bilhões em março, contra US$ 2,5 bilhões em fevereiro. A área técnica do BC esperava uma redução substancial no fluxo desse tipo de financiamento, que acabou não ocorrendo.
Pela primeira vez, o Banco Central divulgou para quais setores estão vindo os investimentos diretos que ingressam no País. Num levantamento onde foram considerados apenas os ingressos acima de US$ 25 milhões ocorridos em março, o BC identificou US$ 200 milhões em recursos para a área de telefonia celular, sendo metade para participar de leilões de concessão para a banda B e a outra metade, para produção de telefones celulares.
Outros US$ 160 milhões vieram para o setor financeiro. O setor de automóveis e cargas recebeu US$ 30 milhões em investimentos diretos no período. Igual valor ingressou para o setor petroquímico. O setor de comércio recebeu US$ 50 milhões e o de serviços, US$ 65 milhões.
Manter reservas em valores altos pode tornar-se caro porque o governo brasileiro precisa emitir títulos da dívida interna em valor correspondente aos recursos que ingressam no País. Isso representa um custo, porque os juros da dívida interna são maiores do que a remuneração recebida pelas reservas brasileiras depositadas no exterior. Porém, o Brasil precisa das reservas internacionais como uma garantia nas suas transações com os demais países.
O ponto em que o benefício da segurança proporcionada por reservas altas passa a ser menor do que o custo de carregamento dessas mesmas reservas tem ocupado os analistas. ‘‘É difícil saber qual é o nível ideal’’, admitiu o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. ‘‘O Banco Central vem trabalhando no sentido de melhorar o perfil do ingresso de recursos no País; quanto mais longo o prazo, melhor’’, disse. No mercado, o nível apontado como ideal varia entre US$ 80 bilhões e US$ 90 bilhões.

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