Reservas caem US$ 1,8 bi em maio
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quinta-feira, 18 de junho de 1998
Agência Estado 
As reservas em moeda estrangeira do Banco Central sofreram em maio queda de US$ 1,830 bilhão, a primeira desde novembro passado, quando o País sofria os efeitos do auge da crise asiática.
Ao longo do mês de maio, as reservas caíram de US$ 74,656 bilhões para US$ 72,826 bilhões pelo conceito de liquidez internacional, que inclui o dinheiro prontamente disponível e os créditos de médio e de longo prazos. Pelo conceito de caixa, que só considera o dinheiro prontamente disponível, as reservas caíram US$ 1,898 bilhão. Em abril, elas estavam em US$ 73,849 bilhões e, em maio, ficaram reduzidas a US$ 71,951 bilhões.
Nas duas primeiras semanas de junho, persistiu a tendência de saída de recursos do país. No total, as saídas superaram em US$ 1,2 bilhão as entradas de dólares. Se essa tendência permanecer até o final do mês, é possível que haja em junho nova queda nas reservas internacionais do BC.
O diretor de Assuntos Internacionais do BC, Demósthenes Madureira de Pinho Neto, afirma, entretanto, que haverá ingressos de investimento diretos ainda neste mês que deverão cobrir as saídas ocorridas até agora. Assim, segundo ele, as reservas permanecerão estáveis no mês.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse ontem que os ingressos líquidos dirigidos a Bolsas, à produção e a fundos de investimento já atingiram US$ 662 milhões positivos em junho. Somente os investimentos diretos (capitais destinados à produção, como privatizações, construção de fábricas e compra de empresas) totalizaram US$ 754 milhões até 16 de junho.
A queda nas reservas em maio já havia sido prevista por Pinho Neto, que atribuiu o fenômeno à entressafra de privatizações. Os números divulgados ontem pelo próprio BC mostram, entretanto, que o principal fator para a queda das reservas foi a repatriação de capitais de curto prazo. No mês, investidores estrangeiros retiraram do país US$ 5,180 bilhões em capitais aplicados com prazo inferior a um ano. Esse número equivale a 30% da saída total de capitais de curto prazo no ano passado, que atingiu US$ 17,516 bilhões.
A saída de captais de curto prazo está relacionada, principalmente, à redução das taxas de juros. Os investimentos diretos tiveram desempenho semelhante à média de 1997, embora não tenham sido registradas entradas dirigidas à privatização.
Em maio, ingressou US$ 1,29 bilhão líquido em investimentos diretos. O número não fica muito abaixo da média mensal de 1997, que, incluindo privatizações, atingiu US$ 1,423 bilhão.
Déficit O déficit externo do País cresceu em maio, embora o desempenho dos primeiros cinco meses deste ano tenha permanecido melhor que o do ano passado. No período de 12 meses encerrado em maio, o déficit nas transações de bens e serviços com o exterior foi de US$ 32,349 bilhões, ou 4,05% do PIB. Até abril, o déficit, na mesma forma de cálculo, estava em 4,01% do PIB, ou US$ 32,039 bilhões. O déficit em transações correntes leva em conta a balança comercial, a conta de serviço (pagamento de juros, remessa de lucros, viagens internacionais e outros) e as transferências voluntárias de recursos entre países.


