A crise internacional fez as reservas em moeda estrangeira do Banco Central caírem para US$ 45,811 bilhões em setembro, de acordo com dados oficiais divulgados ontem pela instituição. Foi a maior perda de reservas já registrada pelo BC em um único mês e supera as baixas ocorridas nas crises mexicana e asiática juntas.
De agosto para setembro, as reservas caíram de US$ 67,333 bilhões para US$ 45,811 bilhões, pelo conceito de liquidez internacional, que inclui moeda forte prontamente disponível e créditos de médio e longo prazos. Pelo conceito de caixa, que inclui apenas moeda forte prontamente disponível, as reservas fecharam em US$ 44,986 bilhões em setembro, contra US$ 66,480 bilhões no mês anterior.
A queda de reservas em setembro foi de US$ 21,522 bilhões, pelo conceito de liquidez internacional. Nas crises mexicana e asiática, a perda conjunta foi de US$ 16,803 bilhões. Em quatro meses de crise mexicana, que começou em dezembro de 1994, o BC havia perdido US$ 6,907 bilhões. Na crise asiática, em outubro e novembro de 97, a queda foi de US$ 9,896 bilhões.
O BC sofreu baixa em suas reservas, em primeiro lugar, porque registrou alto déficit em transações correntes. O País gastou em setembro US$ 4,854 bilhões acima das receitas em suas transações com outros países. Houve também fuga de US$ 5,768 bilhões em recursos aplicados por estrangeiros nas Bolsas e fundos de renda fixa.
Os fundos registraram as maiores perdas (US$ 4,084 bilhões), seguido das Bolsas (US$ 1,893 bilhão). Outras aplicações tiveram pequeno ingresso positivo. As chamadas contas CC-5, mantidas por residentes no exterior, registraram fuga de US$ 8,391 bilhões. Brasileiros também remeteram outros US$ 842 milhões dirigidos a fundos que aplicam em títulos da dívida externa.
A crise também fechou os empréstimos de longo prazo, com vencimento em prazos maiores de um ano, e fez os pagamentos ficarem US$ 2,553 bilhões acima das novas captações e das rolagens de dívida antiga.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, divulgou números parciais sobre os fluxos de dólares até ontem que, segundo ele, demonstram que a fuga de moeda perdeu força. Segundo ele, os fundos de renda fixa registram em outubro perda de US$ 243 milhões, e as Bolsas, de US$ 160 milhões.
O País também registra ingresso de empréstimos tomados no exterior por empresas brasileiras, destacando uma captação de US$ 3,9 bilhões feita pelo BNDES em uma operação que antecipou o pagamento da privatização da Telebrás.

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