O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Demósthenes Madureira de Pinho Neto, disse ontem que a perda de reservas, até agora, superou US$ 20 bilhões e que hoje o País dispõe de US$ 49 bilhões destas divisas. Isso no conceito de liquidez internacional, que inclui créditos a receber. Em caixa, que contabiliza apenas os recursos disponíveis, o volume de reservas é menor.
Os últimos dados de reservas divulgados pelo BC foram para o mês de julho, que fechou com US$ 70,2 bilhões em liquidez e US$ 69,3 bilhões em caixa. Na avaliação do diretor do BC, no entanto, o atual volume de reservas continua sendo ‘‘muito confortável’’. Ele salientou que, até o final do ano, estão previstos vencimentos de dívida, pública e privada, ‘‘entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões’’. Para ele, portanto, ‘‘dá de sobra’’ para o Brasil honrar os compromissos externos que vencem este ano.
O diretor do BC prevê que, a exemplo do que ocorreu após a crise da Ásia, a recuperação das reservas ocorrerá de forma lenta de gradual. Depois das perdas de outubro e novembro do ano passado, o Brasil só iniciou o processo de recuperação das reservas em fevereiro último.
As perdas de reservas nos últimos dias, segundo ele, foram provocadas, principalmente, pelas saídas de recursos que estavam em operações de 63-Caipira. Somente destas aplicações saíram US$ 10 bilhões, enquanto a fuga dos fundos de renda fixa foi de US$ 7 bilhões.
A diferença nas perdas foi referente às saídas de empresas brasileiras que recompraram dívida no exterior e, ainda, a operações de arbitragem por parte de investidores internacionais. Com aplicações no Brasil, estes investidores retiraram dinheiro do País para investir em títulos da dívida externa de países emergentes que, diante da crise, tiveram queda de preço. Em consequência, houve um aumento da remuneração destes papéis.
Sem esconder o cansaço das quatro últimas semanas - há um mês a Rússia declarou moratória de suas dívida interna e externa, o que gerou a crise de confiança nos países emergentes -, Pinho disse que as próximas semanas ainda serão de saída de recursos do Brasil. ‘‘Mas já não há mais o pânico’’, destacou. Em sua avaliação, estas saídas serão provocadas, principalmente, pelo pagamento de dívidas que não estão sendo renovadas. Segundo salientou, com a crise há uma retração do mercado, o que inviabiliza a rolagem porque os novos encargos estão muito altos.

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