Reserva de segurança garante energia
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segunda-feira, 16 de junho de 1997
Agência Estado 
São Paulo
O aumento do consumo industrial de energia a partir de agosto, por causa da produção maior para atender as vendas de fim de ano, será atendido com cerca de 35% da eletricidade que normalmente serve para garantir a segurança do sistema interligado que abastece as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O déficit de energia começa em outubro e terá seu auge em novembro, quando a falta de energia deve chegar a 695 megawatts, volume superior à capacidade de geração da usina nuclear de Angra I.
Segundo o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, o déficit deverá ser suprido com parte da chamada reserva técnica, de 2 mil megawats. Estamos fazendo um esforço para aumentar a geração, principalmente na área de manutenção, mas a situação ainda deve ser de dificuldade principalmente em setembro, afirmou Sampaio ontem, durante palestra para empresários na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).
No último dia 13 de maio o consumo de energia bateu novo recorde de 39.660 megawatts, no sistema Sul-Sudeste. A capacidade máxima de geração do sistema na região está entre 41 mil e 42 mil megawatts. O consumo maior acontece entre as 17hs e as 19hs de terça a quinta-feira. O último recorde de consumo aconteceu numa terça-feira neste horário. Podemos enfrentar algum problema acidental, mas não estrutural, garantiu o diretor de geração e transmissão da Cesp, Mauro Arce. Segundo ele, a reserva técnica é suficiente para garantir o abastecimento, mas eventuais falhas técnicas podem provocar cortes de fornecimento.
O risco de novos blecautes, como os que aconteceram nos dias 24 e 25 de abril causam preocupação às indústrias. É o pior que pode acontecer ao setor produtivo, afirmou o presidente da Fiesp, Carlos Eduardo Moreira Ferreira. A consequência é a paralisação da produção e enormes prejuízos, acrescentou Ferreira, defendendo a privatização como uma saída natural para o problema.
Os empresários não ficaram tranquilos, apesar das explicações do presidente da Eletrobrás. Se aconteceu uma vez (o blecaute), pode acontecer novamente, comentou o presidente do conselho de administração da Ericsson e diretor de infra-estrutura da Fiesp, Carlos de Paiva Lopes. O presidente do grupo Votorantim, Antonio Ermírio de Moraes, acredita que este ano o País vai conseguir superar o risco de falta de energia mas teme problemas no futuro. Este ano estamos salvos, mas no ano que vem ninguém sabe.
O presidente da Eletrobrás fez uma explanação sobre as providências que estão sendo adotadas para atender o déficit que poderá duplicar no ano que vem. Além de acionar usinas termoelétricas que estavam paradas, o governo está adotando medidas para importar energia excedente da Argentina e planejando a instalação de usinas térmicas a gás natural nos Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Também estão sendo providenciados limitadores de demanda (medidores de consumo no horário de ponta, com tarifa diferenciada) para instalação em residências. Além disso, a Eletrobrás também estuda a compra de energia excedente de autoprodutores e cogeradores.


