Reserva bancária cresce 330% no Real
Agência Folha
De São Paulo
As reservas constituídas pelos bancos para enfrentar o calote de seus clientes cresceram nada menos do que 330% desde o início do Plano Real. A tendência se acentuou a partir de 1997, quando passaram a temer a onda de inadimplência provocada pela recessão. Depois da crise da Ásia, as reservas, conhecidas como provisões, subiram 152%. Em setembro de 1995, os bancos tinham provisões de R$ 8 bilhões. As reservas saltaram para R$ 17 bilhões dois anos depois e agora já atingem R$ 26 bilhões, de acordo com levantamento da consultoria Austin Asis.
O crescimento das reservas é reconhecido pelo Banco Central e pelos analistas como um sintoma da saúde do sistema financeiro. Mas os balanços que estão sendo divulgados agora mostram que a cautela deu margem a exageros.
Enquanto as provisões triplicaram, a inadimplência nos bancos caiu pela metade durante o Real. Hoje, está em 5,4% dos créditos. Com tanta provisão para pouco calote, o excesso de prudência dos bancos já chamou a atenção de outro pedaço do governo, a Receita Federal. A razão é simples: quando os lucros caem, a arrecadação de impostos despenca junto. O resultado já pode ser identificado nas multas aplicadas pelo fisco nos bancos. No Rio de Janeiro, a maioria das multas aplicadas pelos auditores da Receita nos bancos tem origem na redução dos lucros. Dos R$ 870 milhões que estão sendo cobrados dos bancos cariocas, mais de R$ 600 milhões referem-se a irregularidades no pagamento de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
É nesses critérios que aparecem as multas por provisões excessivas, diz Leonardo do Couto, delegado de Instituições Financeiras do Rio. Existem autuações significativas envolvendo o provisionamento dos bancos. É a arrecadação desses tributos que cai quando há excesso de provisão. Já tínhamos identificado esse tipo de problema há mais tempo, o que gerou muitas autuações, diz Flávio del Comuni, superintendente da Receita Federal de São Paulo. Ao todo, as autuações da Receita Federal no sistema financeiro já chegam a R$ 11,4 bilhões. A maior parte vem de São Paulo, que somava, até a semana passada, R$ 10,3 bilhões.
O Rio de Janeiro despachou multas de R$ 1,1 bilhão. Desse total, 75% foram para bancos. O restante foi dividido entre corretoras, distribuidoras, seguradoras, Bolsas de Valores, de mercadorias e até fundos de pensão. Na cabeça da lista de multas, está um papagaio de R$ 180 milhões para um dos maiores bancos de investimento do país. Há 15 dias, a Receita brindou um grande banco paulista com uma autuação de R$ 500 milhões.Sistema financeiro elevou de R$ 8 bilhões para R$ 26 bilhões as provisões anticalote, reduzindo o lucro dos bancos e acionistas
Arquivo FolhaEXCESSO DE PRUDÊNCIABancos reservam maior volume de dinheiro para cobrir inadimplência e, com isso, reduzem lucro e impostos





