Resende prevê alta no preço dos combustíveis
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
RIO - O deputado federal Eliseu Resende (PFL-MG), relator do projeto de abertura do setor de petróleo, previu ontem o fim dos carros movidos a álcool e o aumento dos preços dos combustíveis em consequência da nova regulamentação do setor. Não se enganem, os preços vão aumentar porque vamos acabar com os subsídios, disse o relator a uma platéia de empresários do setor que assistiu à sua palestra na sede da Federação das Indústrias do Rio (Firjan).
Segundo o deputado, com o fim do subsídio ao álcool hidratado - que deverá terminar no máximo três anos após a aprovação da Lei - e a atual redução da produção de automóveis movidos a álcool, a tendência natural é a de que a frota nacional seja movida à gasolina. Esse combustível, entretanto, continuará mantendo os atuais 22% de álcool anidro em sua composição.
Com o aumento gradual da frota de automóveis, previu Resende, os usineiros conseguirão manter parte das suas vendas, já que a gasolina continuará a ter o álcool em sua composição. Eles também poderão voltar a produzir açúcar, afirmou Resende.
Importações O relator também admitiu que a permissão para que as empresas de setor possam importar petróleo e derivados (tarefa hoje exclusiva da Petrobrás) poderá trazer reflexos negativos na balança comercial, a exemplo do que aconteceu no ano passado, quando as importações de petróleo atingiram quase o mesmo nível do déficit comercial, de cerca de R$ 5 bilhões.
Segundo ele, isso irá acontecer se o custo interno de produção for maior do que os preços praticados no mercado internacional. Mas esse é um problema de ordem fiscal, que não poderia ter sido tratado na lei, disse. O que nós queremos é tirar a carga do contribuinte que precisa pagar pelo que não consome, afirmou. Nós queremos atender ao consumidor brasileiro de gasolina, gás de cozinha e óleo diesel.
Eliseu Resende fez questão de ressaltar que o objetivo principal do seu projeto é atrair investimentos privados para o Brasil, de modo a aumentar a produção de petróleo e reduzir as obrigações da Petrobrás, que segundo ele é muito penalizada pelo monopólio. Ele acredita que seu projeto, que será votado na comissão especial da Câmara na próxima terça-feira, poderá entrar em vigor no início do 2º semestre.


